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temos medo de sair às ruas com câmeras fotográficas

É uma característica do brasileiro nos centros urbanos. Temos a certeza de que estamos sempre sendo observados como alvos potenciais para um assalto. Uma câmera, em particular as DSLR mais chamativas, é o típico objeto de interesse dos assaltantes de rua. Dá medo sair com uma na rua. As vendas de câmeras parecem evidenciar o receio do brasileiro de sair às ruas com máquinas mais vistosas. Matéria do site G1 mostra que no Brasil só 1% das máquinas vendidas estão na faixa das DSLR. No mundo, este percentual está em 10%. Um fato que comprova a paranóia dos usuários das câmeras fotográficas maiores é apreciado quando se vai, por exemplo, a pontos turísticos onde a segurança é maior. O Jardim Botânico do Rio é um caso desses. Por lá, como de repente, aparecem vários fotógrafos portando seus equipamentos mais sofisticados. No Centro da cidade do Rio de Janeiro, quase não se vê os ousados fotógrafos. Continue lendo temos medo de sair às ruas com câmeras fotográficas

Aula de Religião nas Escolas Públicas

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou a criação de 600 cargos de professores de religião. Bem que podiam usar esse dinheiro para aumentar o salário dos professores de matemática. Como sou ateu praticante, vejo essa iniciativa como um belo desperdício. Vão encher a cabeça de crianças com superstições do tipo “Deus criou o céu e a terra…”. Coitados dos pimpolhos. Um deputado do Partido Comunista conseguiu incluir um aditivo obrigando as escolas a informarem que as aulas de religião serão facultativas. Uma maravilha viver num país que joga dinheiro fora em atividades facultativas. Que Deus nos ajude!

ONGs: corrupção e outras ideias menos simpáticas

Como todos sabem, sou de extrema direita. Fico puto com a incompetência brasileira para fazer algo certo. Minha comprometida bile também é castigada em assistir qualquer paspalho esperto, que tenha um padrinho no governo, faturar boa grana criando uma ONG. Tenho antipatia por ONGs, portanto, serei parcial, não esperem sutilezas. As corrupções corriqueiras identificadas em nosso país insistem em ter sempre uma ONG como parte do esquema. Também não é para dar em outra coisa. As empresas pagam impostos altíssimos e têm uma porrada de controles por parte do governo. O governo, ele mesmo, tem mecanismos para se auto controlar. E as ONGs? Com estas, temos que contar com a boa vontade de seus controladores. Continue lendo ONGs: corrupção e outras ideias menos simpáticas

fui numa formatura na PUC-RJ

Faz tempo não ia num evento como esse. As festas de formatura continuam parecidas. Esta era de Engenharia de Produção. Os filhos que formam e os pais que participam solidários desse rito de passagem, exibem sensação que é mistura de conquista com fim de um sofrimento. Um aluno, ao ser chamado para receber o diploma, colocou como música de fundo o clássico: Aleluia! Aleluia! Bom poder de síntese. O paraninfo fez um discurso estranho, que não entendi. Ele citou bastante as redes sociais. Não sei onde queria chegar. A platéia parecia entretida em se livrar de ir à aula na faculdade. Chamou atenção a amostra dos formandos, era composta em sua metade por meninas. A maioria feminina, antes vista como minoria, está pau a pau com os meninos numa área de elite como a Engenharia de Produção. Fiquei impressionado como as brasileiras estão louras. Nota-se que uma questão tecnológica foi bem resolvida: a chapinha (atualizando: escova progressiva) garantiu a todas cabelos lisos e sedosos. Os sobrenomes dos formandos brasileiros exibiam muitas consoantes e poucas vogais. A festa, como dizíamos na minha geração, foi careta. Não havia indignação com nada. Nada da rebeldia da juventude. Todos estavam satisfeitos por entrar para o mercado efervescente do Brasil de hoje. Uma característica da amostra de cerca de 50 novos engenheiros: não havia um só negro!.

Cabral e o jatinho do Eike

Eu aprovo o bom gosto do governador Sergio Cabral pelas coisas boas da vida. Por que ele havia de ser modesto? Se está na beirada do poder, tem que ostentar, exibir as vantagens que adquiriu através do voto popular. A coluna de Ricardo Noblat, em O Globo de hoje, mostra sua desenvoltura em gastar o equivalente a R$600 mil em viagens no jatinho do Eike. O Cabral é usuário frequente do avião do zilionário. Se Eike tem bom coração e gosta de lhe fazer mimos sem cobrar vantagens em negócios com o governo do Rio de Janeiro, por que ele havia de recusar? Vamos gastar o dinheiro de Eike Batista. Criar uma relação de trocas de favores com Eike é bom para Cabral e bom para o Estado do Rio de Janeiro. Quanto mais carícias trocarem, mais íntimos ficarão e poderão praticar ações em favor de nós cariocas. Tá bom que 600 mil reais permitiriam construir escolas, pagar melhor professores e bombeiros, mas isso é puro proselitismo. O que importa mesmo, e Cabral parece saber e praticar isso com afinco, é dar o melhor para nossa família e amigos. O luxo é uma delícia. Por que ficar no Rio de férias quando se pode ir para Bahamas, Paris ou Londres. Estou com Cabral. Discutam a ética à vontade, mas desde que não me tirem da vida de milionário. Infelizmente ainda não conquistei a desejada vida nababesca que nossos governantes usufruem.

Polemizar como mera terapia

Começo colando a citação de Hermano Vianna em sua coluna de 27.05.11 em O Globo: “Ora, a indignação é a forma mais barata de inteligência, ela substitui a complexidade.” É isso! A mera indignação não leva a nada por si só. Se o indignado pegar em armas (metaforicamente, por favor) e sair ao encalço das pretendidas mudanças, aí sim, valeu ficar puto com alguma coisa. Sendo preconceituoso, afirmo que o brasileiro tem a tendência para a indignação passiva. A gente esperneia, estrila, se debate e depois sai para tomar um sorvete e esfriar a cabeça. Como cidadãos, temos formação rígida para sermos bundões. De novo, cito nosso Hermano: “A indignação brasileira atual muitas vezes é apenas exercício de maledicência. Um jogo bobo: sou mais corajoso, nado contra a maré, pois falo mal de todo mundo. E tudo fica como era antes.” Nossa firme determinação aqui em Polemikos é exercitar essa indignação imobilizante. A gente ladra, ladra, mas não morde. Para fugir a mesmice de nossa pátria, optamos por esse texto politicamente incorreto e/ou moralmente correto para aliviar a indignação. É uma boa forma de terapia, é relaxante. Como não redunda em resultado efetivo final, torna-se uma prática de coito interrompido que pode vir a gerar insatisfação acumulante. É previsível um dano maior futuro, afinal essa energia refreada deverá ser canalizada para algum problema de saúde psicossomático. Que venha a úlcera! Continue lendo Polemizar como mera terapia