Banhos Xizao
O Caminho de Casa The Road Home

Emoção chinesa


Zhang Ziyi

Há alguma semanas, o circuito carioca tem dois filmes chineses em cartaz. Banhos, de Zhang Yang, e O Caminho de Casa, de Zhang Yimou, resistem valentemente à investida de fim de ano das Fugas das Galinhas, 102 Dálmatas e o terrível produto nacional Popstar, da Xuxa. O dois filmes orientais valem o ingresso! Há uma identidade nos temas tratados nas duas obras. O relacionamento entre pais e filhos funciona, em ambos, para ligar presente e passado. Pais e filhos são a metáfora para o choque entre o passado, antes imutável, e as mudanças vertiginosas da China atual. A modernidade, que atropelou os chineses, serve para gerar belas visões do contraste do novo de hoje sobre o rico e sensível passado que fica para trás.

Banhos trata da relação entre pai e filho. O velho dono de uma casa de banhos, que resiste às mudanças, mantendo rigorosamente a rotina do seu negócio, é visitado pelo filho que foi para cidade grande estudar. Este, carregando o celular como o símbolo máximo do moderno, conduz o olhar do espectador para o passado que os novos shopping centers da China vão fazer desaparecer. O diretor Yang brinca com a futilidade do novo, como quando mostra o ingênuo fascínio do mestre das massagens por um gadget eletrônico para massagear pessoas. O filho, tão diferente do pai, é o presente tão diferente do passado. O filme retrata o paulatino fascínio e envolvimento do filho com os valores e rotina de vida do pai. As emoções do irmão retardado acentuam a simplicidade e beleza que estão sendo perdidos com as mudanças. Yang acerta também ao usar as rotinas do dia a dia da casa de banhos, onde a água cria um ambiente envolvente para as emoções de pai, filho e irmão. A proposta de Zhang Yang, entretanto, atinge parcialmente o objetivo. A excessiva esquematização dos personagens limita os resultados da história. Fica tudo claro, talvez, até, claro demais. Mas, pelo menos, não podemos dizer que o filme é hermético.

O Caminho de Casa é uma jóia preciosa. Zhang Yimou, que nos ofereceu o maravilhoso Lanternas Vermelhas, nos apresenta, dessa vez, uma irresistível história de amor, da qual dificilmente conseguimos passar sem experimentar grande emoção. Levem seus lenços! Aqui, também, um filho olha para o passado de seu pai, professor de uma pequena cidade. Zhang usa este truque para mostrar uma bela história de amor, onde o relógio anda devagar, para que as emoções sejam saboreadas lentamente. Apesar da anestesiados e acostumados às emoções rápidas e de gosto forte, de preferência com bases sexuais, sucumbimos à beleza da grandiosidade do amor da jovem Zhao Di pelo novo professor da aldeia . Além disso, o diretor Zhang Yimou mostra competência para, depois de descobrir a belíssima Gong Lee, nos trazer, agora, a jovem (20 anos) Zhang Ziyi. A fotografia usa e abusa de Ziyi. As estações são acompanhadas também, da neve mais alva ao amarelo da floresta, formando belos quadros para a espera de Ziyi por seu amor. Zhang escorrega e exagera na grandiloquência da música do filme. O épico amor da história não precisava ser pontuado por uma música bem no estilo Titanic, que, por sinal, é citado no filme, a mãe possui dois enormes posters do filme na parede. Um pequeno erro que não retira a qualidade do produto. Imperdível para quem gosta de cinema. Uma boa oportunidade para quem não gosta do que tem visto fazer as pazes com o bom cinema.

Estes dois filmes comprovam como o cinema chinês registra a saudosa separação deste povo com seu rico passado, possível de ser olhado com o carinho do presente, produzindo beleza e emoção.

Banhos  cotação:   

O Caminho de Casa  cotação:   

- Eugenia Corazon


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28dezembro2000
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