Alertas sobre a saúde de Donald Trump

As ações do presidente americano no seu primeiro ano de governo são difíceis de encaixar numa estratégia coerente de país. As endeusadas tarifas estão sendo danosas para a economia. O midiático ataque e captura do presidente da Venezuela foram apresentadas pelo presidente, não como a esperada maneira de restabelecer a democracia no país, mas para atingir o objetivo de garantir o controle das reservas de petróleo do país. A empreitada militar pode ser pouco efetivas. O petróleo venezuelano não é tanto, não é de qualidade e não será fácil de extrair. O petróleo não está dominando a matriz energética como antigamente. Hoje, há painéis solares e energia eólica ocupando cada dia maior parcela da oferta de energia mundial. Alguns comentários que Trump faz em seus discursos também são absolutamente falhos ou totalmente equivocados. Citando apenas um: em Davos, em reunião de líderes mundiais, Trump fez um discurso deambulante e declarou que a China produz equipamentos para energia eólica mas não os usa, “empurra para os idiotas comprarem”. Vejam só, a China é responsável por 40% da energia eólica mundial produzida! Na área estritamente política, o presidente americano criou um Conselho Mundial da Paz para tratar da recuperação de Gaza. A instituição mais parece um fundo de investimentos para cuidar da construção de hotéis na área arrasada de Gaza. Trump puxou para si a administração do projeto, que começa com aportes de um bilhão de dólares de cada parceiro. O presidente parece tratar esse assunto como um projeto de “real state”, que foi sua principal área de atuação como investidor.

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E as bancas de jornal continuam a proliferar

Escrevi sobre isso faz tempo. Nossa cidade (diga-se Rio de Janeiro) não tem gestão do espaço urbano. O que tem é para inglês ver. Colocam-se anúncios em qualquer parede disponível. Se não tem parede, crava-se um painel. Se ele só atrapalha o visual durante o dia, transforma-se em painel luminoso distribuindo a sujeira de noite pois a propaganda 24 horas dá para vender mais caro.

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Turnover no funcionarismo público

Tem que mandar gente embora todo ano.

Turnover é o movimento de entra e sai de empregados numa empresa. Se sai muita gente, pode ser problema de gestão da empresa que não consegue segurar talentos. Se não tem rotatividade, é sinal que a empresa não se renova, tende à estagnação, à acomodação de seus funcionários e perda de produtividade. Pois bem, Jorge Lehman (o guru!) prega um modelo de meritocracia em que, todo ano, são demitidos 10% da força de trabalho. Vão embora aqueles que têm as piores avaliações ou indicadores de rendimento. Para repor quem saiu, busca-se contratar no mercado pessoal rigorosamente selecionado. É um modelo de melhoria contínua da qualidade dos colaboradores da empresa. Em princípio, a produtividade da empresa deve melhorar. A pressão por bons resultados tem impacto positivo na produtividade da empresa, mas se conduzida em com excessos pode acarretar tensão nos recursos humanos podendo gerar resultados contrários aos desejados, com queda na produtividade. A dosagem da aplicação desse modelo é a grande arte do gestor de pessoal nas empresas.

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Bitcoin é golpe das correntes aperfeiçoado

As correntes são um formato de golpe que não para de ser praticado. O formato clássico é obter dinheiro antecipado prometendo lucros (normalmente bem acima do que o mercado oferece) no futuro. A ganância dos humanos sempre supera a racionalidade e as pessoas entram nesses esquemas todo o tempo. Os espertos mascaram o golpe com modelos de investimentos para atrair os incautos (por exemplo: criptomoedas), ou a produção de bens que trarão rendimentos magníficos (lembram do Boi Gordo?).

O modelo do golpe das correntes se superou. As criptomoedas trouxeram o suporte necessário para o golpe torna-se universal, com boa infraestrutura de implantação e apresentando fachada financeira que lhe dá confiabilidade. O golpe movimenta hoje cerca de 2 trilhões de dólares. A proposta é simples: a criptomoeda se apresenta como uma… moeda alternativa, longe das regulamentações tanto odiadas pelos especuladores. Não é moeda. A Bitcoin é uma ação entre “amigos” em que cada um que aposta na sua compra espera que outros venham a comprar depois. Aqueles que chegam depois querem comprar aquele bem que viram subir de valor acreditando que ele vai subir mais. E pagam mais pela criptomoeda e o preço sobe. Com altos e baixos, o povo continua entrando na roda. Um corretor sensato me disse olímpico: “Talvez valha a pena investir. Ainda tem muito otário para comprar Bitcoin até ela chegar a valer um milhão de dólares.” Hoje está em torno de US$100 mil dólares.

Enfim o mundo se dobrou ao mecanismos das correntes. Todos acreditam que uma criação financeira sem suporte de nenhuma instituição ou governo pode valer alguma coisa. Acreditar demais é dos maiores defeitos de nossa espécie. Os traficantes e corruptos agradecem aos colaboradores que mantém local onde podem esconder e negociar seus ganhos ilícitos.

O governo Trump é entusiasta das criptomoedas. Talvez correspondendo aos bilhões que as empresas das criptos colocaram em sua campanha. O presidente da Argentina se complicou endossando uma cripto que deu ruim e gerou prejuízo para muitos. O mercado financeiro viram o rosto para o outro lado, se pagarmos as comissões, podemos investir formalmente em criptos. Estamos largados a própria sorte. Só nos resta avaliar se ainda dá para entrar no esquema ou ele está próximo de estourar. Difícil decidir.

Se é para acreditar em deuses, por que não ficarmos com Papai Noel?

Eta perguntinha provocativa, hem? Falar em deuses é sempre perigoso. O pessoal chegado às crenças não gosta muito de discutir sobre acreditar, ter fé, buscar evidências… O problema é o seguinte: deuses são a maior prova que na presença do desconhecido, da grande solidão que enfrentamos por ter consciência, por não sabermos o que é esse turbilhão de sensações que é viver, então, partimos para delegar a uma entidade maior a explicação para tudo que nos acontece. Não é ideia totalmente ruim. O repasse do entendimento da vida a um ser (super ser!) é maneira de relaxar e deixar a vida nos levar. Esse modelo de delegação só não é muito bom porque ele traz a figura do “atravessador”, os intermediários nas relações com os deuses, os burocratas que criam igrejas e administram as crenças, a fé e as finanças do rebanho de acreditadores. Sem aprofundar muito, sabemos que as civilizações criaram as versões mais estranhas de divindades. A igreja Católica e a religião Mulçumana têm grande sucesso de público. Outras menos votadas e, mesmo, patéticas, como a Cientologia, tem surpreendente sucesso, com nicho fiel e rendimento financeiro significativo de uma Big Tech.

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Fundo Garantidor de Crédito ou Fundo Garantidor de Golpe

O banco Master quebrou. Já estava quebrado havia tempo, sobrevivendo às custas dos relacionamentos do seu dono com os donos do poder no Brasil. Pois bem, quebrou, foi-se. Então vem a conversa sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os investimentos no Banco Master estão garantidos até R$250 mil. Lindo. Os pobres (não tão pobres assim) investidores vão receber as aplicações que fizeram em papéis podres do banco até o valor limite de R$250 mil. Esse socorro aos incautos investidores vai consumir cerca de metade do patrimônio atual do fundo, que é de 90 bilhões de reais. O fundo vai bancar uns 40 bilhões (provavelmente vai precisar de mais) do dinheiro reservado pelo sistema bancário para se salvar nessas situações. O FGC é alimentado pelos bancos. Vai ter que ser reposto. Esse aporte vai custar aos bancos. Vai estragar seus lucros. Eles terão que correr atrás de dinheiro. Quem vai poder contribuir? Eu diria que os clientes vão pagar mais pelos serviços para “garantir” o lucro dos bancos. Talvez até o governo entre com uma grana. Ou seja, no final, nós vamos bancar a farra do Volcaro.

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Enfim o segredo de ficar rico está disponível para todos: saiu o livro A Receita – como enganar muitos e sorrir

Há mais de dez anos, Ernesto Friedman escreveu ensaio aqui em Polemikos onde mostrava em linhas gerais o modelo de ganhos financeiros que vem há décadas encantando e extraindo dinheiro de milhares de ingênuos. Alguns espertos dominam as técnicas que Friedman resolveu compartilhar com toda a humanidade. Seu novo livro A Receita – como enganar muitos e sorrir está na Amazon. Vale a pena se aprofundar nas regras para extrair dinheiro dos outros. Se você não pretende se aproveitar dos outros, A Receita serve como um guia para se proteger dos esquemas que os praticantes dA Receita aplicam todo o tempo. Afinal, o modelo dos esquemas dA REceita é radical: ou você conhece e, se quiser, aplica nos outros, ou você será a vítima. Você decide.

Claudio Urubu

Morreu Cláudio Urubu. Quem sabe sabe. Seu nome era Cláudio Azeredo. Muitas notas na internet relatam sua saída de cena. Eu alimentava a esperança de ir a Miguel Pereira para jogar conversa fora com o amigo de juventude. A ideia foi adiada tantas vezes. Não fui. Não vai rolar.

Cláudio era uma figura. Os relatos destacam suas composições em parceria com Raul Seixas. Foram cerca de trinta músicas. Adoro “cowboy fora da lei”, mas Cláudio foi mais que isso. Talvez tenha sido a justa definição do maluco beleza ou um verdadeiro porra louca. Continue lendo “Claudio Urubu”

Presunção de Inocência no Brasil

Acho que entendi. No Brasil é assim. Você começa roubando e deve juntar dinheiro para dar propina e continuar solto roubando. E você vai subindo na cadeia alimentar da canalhada. Quando você é bom mesmo na roubalheira, você entra para a política e passa a roubar os votos dos incautos brasileiros. Se você exagerar, a fama pode levá-lo a ser julgado num Supremo Tribunal. Nesta mais alta corte, um bando de palhaços togados que você mesmo indicou vão retribuir a gentileza e praticar contorcionismos chineses no picadeiro do tribunal para justificar que você não deve ser impichado pois foi eleito pelo povo, que, aliás, foi manipulado pelo dinheiro da propina que você eficientemente distribuiu. Daí, de presumidamente inocente, você passará a inocentado, podendo continuar sua profícua carreira criminosa. Os ladrões são todos inocentes. 

Qual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?

Não esquecer os dias dos aniversários dos amigos é regra de etiqueta a ser seguida. Uma pessoa com rede de relacionamentos de algum porte deve lembrar de cumprimentar seus amigos aniversariantes do dia. Preocupado em não deixar furos, venho preenchendo a informação dos dias dos aniversários dos meus contatos. Sou bastante liberal. Acrescento filhos de amigos, conhecidos, qualquer um que decline sua data de aniversário e tenha um mínimo potencial de ser importante na minha vida. As vezes dou entrada na lista de contatos apenas com nome e data de aniversário. Todo dia, meu calendário informa os aniversariantes da data. Transformei tudo num jogo (o importante é gamificar os processos, não é?) cujo objetivo é eu ter o máximo número de dias do ano com conhecidos fazendo aniversário nessas datas.

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