O diabo está no reajuste fiscal

No Brasil, boa parte do discurso de promessas de um governo de direita reside no afamado “reajuste fiscal para conter a dívida interna”. O indicador sempre citado é a relação dívida PIB. Vejamos alguns valores desse indicador para outros países, em 2026:

  • Japão 226%
  • EUA 120%
  • França 113%
  • Inglaterra 95%
  • Brasil 85%

Não estamos tão mal assim. Os planos dos governos ditos neoliberais falam de aumentar a eficiência do estado para diminuir seus custos. A eficiência será obtida na força bruta, com a demissão de funcionários públicos. O discurso da atualidade é substituir gente por IA. Aqui no Brasil, há também a vertente de diminuir o “estado assistencialista”. Ou seja, a direita pretende diminuir gastos em programas populares. Tudo focado em que a dívida interna seja controlada. Não entendo bem essa conversa.

Só para dar exemplos, o plano de ajuste fiscal da Grécia, cobrado pela comunidade europeia, em particular, pela Alemanha, paralisou setores vitais da economia grega e alimentou a transferência de renda para bancos privados e internacionais. Portugal conseguiu fugir da receita imposta pela Troika (Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI)). O ajuste português foi mais rápido e menos danoso que o modelo draconiano empregado na Grécia. Mas o mundo gira. A rígida Alemanha está às voltas com o mesmo problema. Seu déficit público cresceu 68% no primeiro semestre  de 2026, atingindo €98,8 bilhões. De repente, o governo alemão não viu problema em gastar acima do prometido, pressionado que foi pela crise energética do gás russo e pelo assédio do rolo compressor dos produtos chineses derrubando mercados de bens de capital em que a Alemanha era a estrela.

O diagnóstico decente é a necessidade de gastar direito. Isso sim. Como fazer isso no Brasil? Podemos fazer isso com a oposição sabotando as iniciativas do governo? Com o Legislativo gastando em emendas parlamentares, que permitem aos deputados enviar recursos do orçamento público sem controle diretamente para obras e projetos em seus estados e municípios de origem? O STF, através do Ministro Dino, tem cobrado a definição da destinação do dinheiro. Mas é difícil saber para onde vai. É difícil.

Um governo de Flávio Bolsonaro (ainda não ganhou, mas a chance é grande) vai ser um experimento distópico. As medidas do presidente Milei, da Argentina, são referência. O alinhamento subserviente aos EUA estão na conta para pagar o apoio à família Bolsonaro, em particular ao preso Jair Bolsonaro. O mais parecido com planejamento é a proposta de criação do Ministério da Prosperidade, coisa no estilo George Orwell. Vejamos o que acontece. Se benzam e cruzem os dedos.

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