Como destruir uma narrativa golpista

Na eleição para presidência de 2026 o TRE fez uma barafunda. Houve problema com impedimento de circulação de ônibus, feito para sabotar o direito de voto dos eleitores em estados do nordeste. No sul e sudeste, as chuvas foram as culpadas por atrapalhar o processo eleitoral. Os dois partidos que disputavam a eleição pediram o adiamento do prazo para fechar as urnas. O ministro Kassio Nunes Marques sentou em cima dos pedidos deixando correr a tarde do domingo das eleições sem tomar nenhuma providência. Essa postura favoreceria fortemente o lado perdedor, no caso Flávio Bolsonaro, que poderia alegar que perdeu porque não houve prorrogação do tempo de votação na região Sul, onde ele teve grande maioria dos votos. Depois de muita conversação entre os ministros Kassio, Fachin e Zanin, este último determinou a prorrogação da votação até as 19h. A decisão previa a ampliação do horário em todo o território nacional. Foi a nossa sorte. O partido do candidato Flávio Bolsonaro ficou sem ter como negar que também havia pedido a prorrogação. Também não pode dizer que perdeu porque não houve a prorrogação que lhe favoreceria. Foram somente 30 mil votos realizados após 17h, que não mudariam a diferença de 4 milhões de votos a favor de Lula. Mas sabe Deus o que esse pessoal ia inventar se não houvesse a bendita prorrogação.

Sistema de previsão de resultados de apuração de eleições

Nas eleições entre dois candidatos – como é o caso de um segundo turno na eleição para Presidente da República – a evolução dos resultados durante a apuração dos votos dá uma angústia danada. Acontecem as famosas “viradas” que causam emoção (e comoção) nos torcedores (digo, eleitores) que acompanham a contagem dos votos. O Brasil apresenta diferenças regionais marcantes nas preferências pelos candidatos. Por exemplo, na eleição para presidente em 2026, Pernambuco teve uma relação de aproximadamente 70% para Lula e 30% para Flávio Bolsonaro. Em Santa Catarina, a relação era inversa: 30% para Lula e 70% para Flávio! Dependendo da velocidade de apuração em cada região do país, essas disparidades provocam trocas da liderança nos votos conforme uma região avança mais rápido que outra na contagem dos votos. Isso dá emoção ao processo de apuração. Também gera muitas reclamações dos perdedores… 

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Carta à Nação de Flávio Bolsonaro

Tirésias da Silva psicografou a carta do nosso grande líder: (vale destacar que esta carta foi gerada antes das bobagens que Flávio publicou dos EUA. Era melhor ter escrito a minha versão.)

Bem, meu gado, deu ruim! Quero que vocês tudo se fodam. Vou ficar aqui nos EUA curtindo o bem bom proporcionado pela grana do Dark Horse. Achei que ia ganhar a presidência do país surfando no desejo de vocês tirarem o Lula. Deu no que deu. Não sou qualquer um. Sou uma zebra. Bastava ficar quieto, não fazer marola e correr atrás da confirmação no segundo turno. Não consegui. Escorpião é assim, tem que picar ele mesmo, é de sua natureza. Botei uma tresloucada para posar de ministra da economia dizendo tudo que a gente pensava e que não era hora de dizer. Me recomendaram fingir de estadista no debate com Lula. Abri a discussão chamando o cara de nove dedos. Sou um gênio. Deixei os egos de Nycolas e Pablos crescerem nas redes, desfilando presunção, falta de educação e deboche. Só fizeram merda. Se os eleitores do PT, que ficaram em casa no primeiro turno, precisavam de um estímulo, esse foi decisivo. Enquanto isso, o maluco do Janones juntou dez milhões de pessoas no Exército do Lula. Já tava achando mesmo que esse golpe ia dar errado. Perdi feio. Vocês esperavam grandeza de minha parte. Esperavam que eu agradecesse os votos que me deram? Porra nenhuma. Não fizeram eu ganhar, cambada de jumentos. De grande em mim, só o ridículo. Ficamos por aqui. Amanhã vou num parque da Disney afogar minhas mágoas. Sofri muito esse mês. Orem por mim. Fui.

P.S.: Peço ao Vorcaro para continuar calado. Vou mexer uns pauzinhos nos EUA para melhorar sua situação. Tenha paciência irmãozinho.

Todo mundo (inclusive eu) achava que Flávio ia ganhar, mas perdeu. Viva!

Graças a Deus. Sou ateu, mas temos que agradecer a Ele. Com a vitória de Lula, talvez o país tenha se livrado da tutela da família Bolsonaro. Ainda tem muitos deles em cargos da política, mas não na presidência.

A grande maioria dos analistas prognosticava a vitória de Flávio Bolsonaro. Nós também. Seu discurso ralo, prometendo resolver os problemas que mais afligem a população (inflação e segurança), junto com eficiente uso das redes (vide Nycolas) colaram bem nos eleitores. Então por que perdeu? A militância lulista nessa eleição foi fenômeno para ser lembrado. A esquerda descobriu as redes sociais. O deputado André Janones teve papel primordial. O Exército de Lula mesmerizou os eleitores e atingiu cerca de 10 milhões de pessoas. As contas mais simplificadas indicam que Lula conseguiu mais cinco milhões de votos do que no primeiro turno. Os idosos saíram de casa para votar. Os jovens tiveram seus brios desafiados. Com isso, a abstenção foi mínima histórica, Lula cresceu no nordeste e, o que foi determinante, diminuiu a distância na região sudeste.

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Flavio Bolsonaro deve ganhar

(obs.: Não foi assim que aconteceu. Deixamos o artigo aqui como dado histórico. Ainda bem que eu não estava apostando junto com a turma do Mercado Financeiro, comprada que estavam no Flávio. )

O Centro de Pesquisas Polemikos indica vitória do candidato da oposição. O trabalho da militância petista foi magnífico. Talvez tenha chegado tarde. A previsão é de vitória apertada, da ordem 1%. Isso, por si só, já coloca um problema lá pra frente. Metade do país vai ficar com o sentimento que não ganhou por pouco. Será colocada em xeque a legitimidade do que for praticado pelo novo governo. Vai ser um alvoroço.

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