Todo mundo (inclusive eu) achava que Flávio ia ganhar, mas perdeu. Viva!

Graças a Deus. Sou ateu, mas temos que agradecer a Ele. Com a vitória de Lula, talvez o país tenha se livrado da tutela da família Bolsonaro. Ainda tem muitos deles em cargos da política, mas não na presidência.

A grande maioria dos analistas prognosticava a vitória de Flávio Bolsonaro. Nós também. Seu discurso ralo, prometendo resolver os problemas que mais afligem a população (inflação e segurança), junto com eficiente uso das redes (vide Nycolas) colaram bem nos eleitores. Então por que perdeu? A militância lulista nessa eleição foi fenômeno para ser lembrado. A esquerda descobriu as redes sociais. O deputado André Janones teve papel primordial. O Exército de Lula mesmerizou os eleitores e atingiu cerca de 10 milhões de pessoas. As contas mais simplificadas indicam que Lula conseguiu mais cinco milhões de votos do que no primeiro turno. Os idosos saíram de casa para votar. Os jovens tiveram seus brios desafiados. Com isso, a abstenção foi mínima histórica, Lula cresceu no nordeste e, o que foi determinante, diminuiu a distância na região sudeste.

Foi um ponto de inflexão. O PT interrompeu a tendência de queda registrada nas eleições de governadores e do legislativo. A grande perda foi no movimento bolsonarista. A direita perdeu a eleição, o bolsonarismo perdeu o rumo. Apesar de vários cargos conseguidos pelo sobrenome Bolsonaro, a perda da presidência determina que a família perde força. Outros atores começarão a se movimentar. O nome mais importante desse processo deve ser Tarcísio. Ele deve ter dormido ontem com um sorriso nos lábios. Ele vai ser governador de São Paulo com toda a exposição que o cargo oferece e fica na pole position para ser o candidato daqui a quatro anos. Correndo por fora, vem Michele, mulher e sobrenome Bolsonaro, e Nycolas, jovem (talvez, jovem demais) e presença marcante na rede.

Essa eleição me assustava. O prontuário dos Bolsonaros pode passar despercebido para muitos. O pessoal mais de direita considerava ser preço baixo a pagar para tirar um governo de esquerda. Discordo disso. Deve haver alternância de poder. Mas o pedágio Bolsonaro é muito alto. Flávio Bolsonaro foi gentil comigo. Não me deixou em dúvida. Definida a eleição, logo retornou ao estilo golpista. Lá vem conversa mole de que a prorrogação das urnas abertas foram prejudiciais a ele. Disse que não vai reconhecer o resultado. Essa atuação patética não tem valor para mudar nada. No máximo, serve de suporte ao discurso do governo americano para não reconhecer o presidente reeleito. É para acompanhar o que os EUA vão dizer.

No mais, Lula ganhou. Tomara que perceba os erros cometidos, que saiba acenar aos 50% que votaram em Flávio. Vamos em frente!

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