Sistema de previsão de resultados de apuração de eleições

Nas eleições entre dois candidatos – como é o caso de um segundo turno na eleição para Presidente da República – a evolução dos resultados durante a apuração dos votos dá uma angústia danada. Acontecem as famosas “viradas” que causam emoção (e comoção) nos torcedores (digo, eleitores) que acompanham a contagem dos votos. O Brasil apresenta diferenças regionais marcantes nas preferências pelos candidatos. Por exemplo, na eleição para presidente em 2026, Pernambuco teve uma relação de aproximadamente 70% para Lula e 30% para Flávio Bolsonaro. Em Santa Catarina, a relação era inversa: 30% para Lula e 70% para Flávio! Dependendo da velocidade de apuração em cada região do país, essas disparidades provocam trocas da liderança nos votos conforme uma região avança mais rápido que outra na contagem dos votos. Isso dá emoção ao processo de apuração. Também gera muitas reclamações dos perdedores… 

Trazemos aqui proposta de um jeito simples de antecipar o resultado da eleição durante a apuração. Para o caso da eleição para presidente, por exemplo, a ideia é ir registrando os percentuais de votos de cada candidato por unidades da federação. Esses números são fornecidos pelo TSE a partir do começo da apuração. Com algum atraso, a imprensa também vai apresentando os resultados parciais. O percentual de votos de cada candidato em um estado multiplicado pelo contingente eleitoral desse estado oferece boa previsão do resultado final na região. Quanto mais votos são apurados, melhor é a amostra da preferência dos eleitores e mais os percentuais de votos em cada estado se aproximam da proporção de votos que cada candidato terá ao final da apuração. Conforme a contagem de votos evolui, os percentuais de cada candidato tendem para os valores definitivos. A partir de 30% a 40% dos votos apurados, o modelo fornece boa previsão do resultado final. 

O sistema de projeção proposto considera que:

  • o contingente eleitoral de cada estado é sabido. Ele é um dado de entrada inicial.
  • durante a apuração, o TRE vai apresentando a proporção de votos de cada candidato para cada estado. Estes dados serão atualizados no sistema para gerar a previsão do resultado. 
  • cada estado brasileiro tem um perfil característico de votação nos candidatos. É comum as preferências variarem entre os eleitores da capital e do interior dos estados, mas, com o andar da apuração, os percentuais se estabilizam nos valores reais de preferência para o estado.
  • a partir de 30% a 40% dos votos apurados de um estado a proporção de preferência se estabiliza. A exceção acontece se houver uma aberração na contagem de votos, por exemplo, um desbalanceamento muito grande entre os votos apurados pelo TRE nas capitais em relação àqueles do interior do estado.
  • para efeito de simplificação, será considerado que abstenções, votos nulos etc são constantes para cada estado. No caso da eleição de 2026, o comparecimento no segundo turno foi maior no Nordeste, cerca de 85%, contra cerca de 80% no Sul e região centro-oeste, que pode ter contribuído bastante para a reversão do resultado do primeiro para o segundo turno. 

A operação do sistema consiste em ir atualizando os valores do percentual de votos apurados a cada momento fornecidos pelo TRE, para cada candidato, em cada estado. Parece muita coisa, mas não é. A partir de 40% dos votos apurados em um estado, a repartição dos votos entre os candidatos tende a se estabilizar e a estimativa converge para os valores do resultado da eleição.  

Segue o formato da planilha para fazer as contas propostas no modelo. Os valores para os percentuais de votos são os valores finais da apuração. A 5a coluna calcula a multiplicação dos valores 2a pela 3a coluna. A 6a coluna, traz a multiplicação da 2a pela 4a coluna.

Os valores carregados na planilha abaixo são para a disputa entre Lula e Flávio em 2026, com os dados dos percentuais dos votos obtidos por cada candidato até 20h (a apuração começou 19h). Até aquele momento, com cerca de 27,2 milhões de votos contados, Flavio liderava com 50,46% dos votos (dados do site TSE). Nesse momento, o modelo já indicava vitória de Lula com 51,26%.

UFcontingente eleitoral (fonte TRE)% Lula% Fláviototal votos (milhões) Lulatotal votos (milhões) Flávio
SP34,1146,1453,8615,7418,37
MG16,3850,4349,578,268,12
RJ12,8643,0656,945,547,32
BA11,3270,729,38,003,32
PR8,6137,4562,553,225,39
RS8,5339,0660,943,335,20
PE7,273,3426,665,281,92
CE764,5835,424,522,48
PA6,354,6345,373,442,86
SC5,736,2263,782,063,64
MA5,269,5430,463,621,58
GO5,137,3362,671,903,20
PB3,268,1631,842,181,02
ES343,156,91,291,71
AM2,850,4649,541,411,39
PI2,777,6122,392,100,60
RN2,767,9632,041,830,87
MT2,633,9466,060,881,72
AL2,463,7636,241,530,87
DF2,345,5754,431,051,25
MS239,2460,760,781,22
SE1,769,530,51,180,52
RO1,334,4565,550,450,85
TO1,248,6351,370,580,62
AC0,634,4565,550,210,39
AP0,657,7942,210,350,25
RR0,433,8966,110,140,26
Total votos80,8976,92
Total %51,2648,74

Não é difícil fazer sua planilha. Um bom prompt e a IA gera uma planilha para você. Infelizmente, só teremos oportunidade de usar essa maravilhosa aplicação daqui a quatro anos.

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