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COVID E DECISÕES DIFÍCEIS

Vou contar uma história que denuncia minha idade avançada. Havia um programa de auditório na TV Rio, no Posto 6, em Copacabana. Um dos quadros era um teatro infantil transmitido ao vivo (videotape chegaria mais tarde). Uma historinha me impressionou tanto, que ficou na memória. Contava sobre um rei muito bonito e vaidoso. Um dia aparece uma mancha escura na sua unha. O rei consulta seu médico, que lhe recomenda arrancar a unha como única solução para livrá-lo daquela mancha. O rei nem considera a sugestão. Como? Cortar suas belas unhas? Como ficariam suas magníficas mãos desfiguradas pela falta de uma unha. E assim não foi feito. O tempo passou e a mancha se alastrou para seu dedo. O médico, corajoso, receitou que ele cortasse seu dedo. Por mais traumático que fosse, essa medida iria curar a estranha mancha que crescia. O rei recusou. Se a falta de uma unha já lhe era esteticamente insuportável, como ele poderia viver sem um dedo? E o tempo continuou a passar como sempre passa. A mancha escura avançou tomando toda a mão do vaidoso monarca. Na falta de outro recurso, o diligente médico real declarou a necessidade de que o rei tivesse sua mão amputada. A vaidade (ou negacionismo) do rei prevaleceu. O rei decidiu por manter sua mão, agora já com a pele escura e áspera. E assim seguia a história. Não vou contar pra vocês como o dilema de Sua Alteza terminou. Não precisamos saber o fim. O que vale é pensar no custo de postergar certas decisões.

Sou catastrofista. Estamos num momento peculiar da história. Não vou perturbar vocês com os detalhes e equívocos do caminho que percorremos para chegar até aqui. O cenário atual pode ser resumido numa corrida entre a busca da imunidade através das vacinas e, do outro lado, a evolução do vírus da Covid-19, criando novas cepas, que já se mostraram mais transmissíveis e podem evoluir para maior agressividade.

No nosso país, estamos a reboque das decisões tomadas no mundo. Entramos tarde na vacinação. O distanciamento foi colocado como destruidor da economia. Sempre que os gestores sentem a oportunidade de abrir as atividades, relaxam o distanciamento. E sempre, o Covid volta, e mais forte.

O médico do rei recomendaria adotar uma medida radical. Um lockdown radical. A ajuda econômica para manter o povo em casa deveria ser ampla e significativa. Mas o rei é vaidoso. Como ele vai abrir mão da beleza do teto de gastos? Como o monarca poderá se olhar no espelho e ver uma divida pública inflada? Teto de gastos e dívida pública são abstrações humanas. Cepas mortais e falta de vacinas não são abstrações e, juntas, são apontadas como fator determinante para determinar como serão nossas vidas pelos próximos anos. A hesitação brasileira está nos colocando no papel de fazer a gestação de novas cepas do Covid. O momento é grave (de novo, o catastrofista). O Brasil pode estar num papel importante para delinear o futuro da humanidade. Em tempo: o Brasil não está no papel de herói.

Uma nota do NYT de hoje, quando comenta sobre a Índia, dá a dica do futuro cenário mundial:

“Complacency and government missteps have helped turned India from a seeming success story into one of the world’s worst-hit places, experts say. And epidemiologists warn that continuing failure in India would have global implications.

The surge in India is a troubling development for the broader pandemic. The sheer number of new infections creates a breeding ground for possible new variants that could be resistant to vaccines, or better able to reinfect people who have already had the virus.”

Tenho que procurar ajuda para tratar meu pessimismo.

Evolução vencendo Criacionismo nos EUA 

Boa notícia. Os jovens americanos cada vez mais se consideram “nones”, quer dizer, não abraçam nenhuma religião. Também não acreditam que a humanidade sempre esteve por aqui, desde o começo dos tempos, como advogam os criacionistas e grande número de religiões.  

A revista Slate registra que, de 2009 para hoje, o número de pessoas que acredita na evolução secular (quer dizer, nossa existência no mundo não ter a ver com intervenções divinas) pulou de 40% para a maioria de 51%. Good News. O motivo maior da mudança foi o envelhecimento e morte dos que acreditam nas superstições religiosas. O fato é que as pessoas mais velhas têm posição mais conservadoras, tendendo a acreditar mais nas fantasias religiosas, tais como o Criacionismo. Mas os mais velhos morrem e são substituídos por uma geração mais esclarecida.

A morte dos conservadores se reflete sobre outros aspectos de nossas vidas. O movimento dos direitos dos gays tem um nome para isso: “generational momentum”. Algo como “evolução das gerações”, que é um “nome polido para dizer morte”. Assim diz o maior arquiteto da luta pelo casamento gay: “Esta é nossa arma secreta: as pessoas velhas morrem.”

ser ateu é mais sujeito a preconceito que ser gay

Isso nos USA. Imagine no Brasil!

A recent Gallup poll found (once again) that atheists are the least electable among several underrepresented groups. Sixty-eight percent of Americans would vote for a well-qualified gay or lesbian candidate, for example, but only 54 percent would vote for a well-qualified atheist. Seven state constitutions even still include provisions prohibiting atheists from holding office (though they are not enforced). One of those is liberal Maryland, which also has a clause that says, essentially, that non-believers can be disqualified from serving as jurors or witnesses.

(Do site politicomagazin)