Caetano cantou na posse da nova presidente do STF Carmem Lúcia

Foi bonito. Caetano é um dos gênios da música brasileira e, sem dúvida, do mundo. Gênio não tem nacionalidade. O evento da posse de Carmem Lúcia foi um pouco diferente do provável protocolo mais sisudo. 

Eu queria que fosse mais sisudo. A ministra assumia, fazia um breve discurso apontando os problemas que vai endereçar em seu mandato à frente do STF e todos ao trabalho. Me incomoda essa presepada que cerca tudo que acontece no STF. É tudo sofisticado e hermético. Fala-se um português só entendível por uns poucos iniciados. Os depoimentos são ricos em citações literárias que pouco têm a ver com o tema que deveria ser o centro das atenções: Justiça. 

E lá foi Caetano cantar na posse da ministra. No meu aniversário ele não cantou. O cachê do nobre artista é altíssimo com razão. Mas ele não cobrou nada. Foi em deferência à amiga. Ou uma gentileza com Sua Excelência a fã. 

Me coça a pergunta: Se Caetano ligar pra Carmem Lúcia para fazer lobby de algum interesse dele ou da classe artística, a ministra atende a ligação? Se tu ligar, ela atende? Será ela mais simpática ao que serve a Caetano? Sei não. Preferia um evento menos cool. Caetano podia enviar uns ingressos de seu próximo show para a Ministra. Ela poderia aceitar, claro, se o valor dos ingressos for inferior ao limite estipulado pelas normas éticas do STF. 

Depois que reli o texto acima, aprendi mais uma coisa: sou ingênuo mesmo. 

Prisão pra Cunha

O subtítulo do site passou muitos meses como “Fora Cunha! (por quanto tempo teremos que manter essa demanda?)”. Enfim tiraram o cara. Caçaram seu mandato. Agora ele não tem mais foro privilegiado. Vai cair a qualidade do seu sono. Ele é a esposa vão ter pesadelos com o juiz Sérgio Moro. É a vida. Minimamente, no Brasil, alguns estão colhendo o que plantaram. Mudaremos nosso subtítulo para “Cunha preso!”.

Brasil tá dando show na Olimpíada 2016: de incompetência!

Vamos lá. Resgate de chefe no tráfico no maior hospital público do Rio, no Centro da cidade. A passarela de São Conrado caiu ridiculamente jogada pro alto por uma onda de ressaca. Uma jovem sofreu abuso por cerca de trinta homens que aproveitaram pra documentar o evento. Do lado dos que deveriam garantir a segurança, a PM é uma fábrica de viúvas. Morre policial toda semana. No futebol – sempre o futebol dominando nossa simbologia – perdemos  logo no início da Copa América. Nada de novidade, desde o 7×1 que levamos da Alemanha, nossas mazelas decidiram sair de debaixo do tapete. A operação Lava-Jato vem apontando os donos de nossas capitanias hereditárias. Ou vocês acham que é coincidência filhos de Sarneys e Lobões já estarem assumindo cargos importantes no país. Nosso legislativo vai acabar em boa parte preso. O que vem depois?

Já gastei bastante tempo me lamuriando. Este país está um brasil. Curioso e amedrontador é prever como ficaremos depois da Olimpíada. O sonho do Brasil moderno foi pro cacete. O que fica?

NBA e o futebol brasileiro

Um par de ingressos para a final da NBA foi vendido por 330 mil reais. É muito. Mas vale. Se você for um milionário que já tem tudo. Ver este jogo pode acrescentar ao seu patrimônio. É um grupo de jogadores de altíssima qualidade reunidos. O show é produzido com qualidade excepcional. E por que falar disso? Tá bem que o futebol é meio monótono de assistir. Mas dá pena ver o circo mambembe em que se transformou o futebol brasileiro. Qualidade técnica ruim. Armações da CBF que enriqueceram os dirigentes empobrecendo o esporte dão o tom da novela futebolesca. Nos resta assistir o futebol espanhol (Messi e companhia) ou o alemão (7×1, lembram). Só nossa mediocridade de torcedor nos leva a aturar o futebol daqui. É muito pouco prazer sacanear, na segunda-feira, os torcedores dos times derrotados da rodada. Somos todos perdedores. 

Sobre triplexes e sítios 

Acho que abusei no plural de triplex, mas o substantivo ganhou notoriedade ultimamente, alguém ia precisar pluralizá-lo. Fi-lo. Os substantivos do título do post são tipos de imóveis, bens patrimoniais, que as evidências estão apontando ser o ex-presidente Lula o proprietário. O sítio entrou de reforço nas denúncias. Está em nome de sócio do filho de Lula. O metalúrgico foi assíduo frequentador da propriedade. A generosa empreiteira OAS fez obras no sítio. Pagou por cozinha de luxo da Kitchen para a casa de campo do líder do PT. A vinculação de Lula ao sítio cheira mal, mas o fedor mesmo está no triplex de Santos. 

O apartamento foi comprado por Lula numa cooperativa de sindicato que faliu e, por coincidência, só construiu o prédio do presidente metalúrgico. A OAS fez obra monumental (coisa de 800 mil reais) no imóvel que Lula diz que não era dele. Lula visitou o apartamento e sua esposa foi lá várias vezes acompanhando a obra. A OAS comprou a mesma cozinha que foi instalada naquele sítio do começo da história. O casal Lula pulou fora do negócio registrado com a cooperativa quando a imprensa começou a xeretar as condições da transação. A essa altura, a OASja era dona do empreendimento. A construtora aceitou romper o negócio é devolver o dinheiro investido pela esposa do presidente cinco anos depois de vencido o prazo padrão a que os outros pretendentes foram submetidos. 

Tá tudo estranho. Parece que o cerco está apertando. Ainda não merece prisão, mas o cheiro começa a incomodar. Aguardemos. Vale a frase de Elio Gaspari, em O Globo, de 03.02.2016:

Certezas, cada um pode ter as suas; sentenças, só quem produz é a justiça.      

Cunha preso!