Mulher do Ano Polemikos de 2002

Cá estamos novamente ocupados na missão de escolher a Mulher Polemikos do Ano, no caso, do finado ano de 2002. Olhando pra trás - mesmo porque pra frente é difícil de se ver alguma coisa - encontro poucas figuras notórias. Mas o sentimento de ausência de femininas de destaque é passageiro, aos poucos, a memória vai desenterrando as criaturas do sexo frágil que despontaram no ano que passou. Uma que assustou o ano todo e que, agora, vai nos atazanar depois que assumir o mais alto cargo executivo do estado do Rio de Janeiro, é a companheira do Garotinho, a Rosângela, vulgo Rosinha Garotinho. Sua vinculação com a Igreja Evangélica é o terror. Pura bruxaria do mal. Começou por passar ferro nos cabelos e se tornou o símbolo desse modismo curioso que as peruas copiaram das neguinhas de cabelo pixaim. Até a Fátima Bernardes embarcou na onda e pagou um belo mico. Ela estava horrenda no Jornal Nacional, com seu cabelo amarfanhado, sob os efeitos do pós-operatório do alisamento japonês. Mas até que na Rosinha ficou uma graça. Os cabelos, como dois parênteses gigantes cercando seu rosto, compuseram a cara da mulher religiosa, que tem muitos filhos e adota outros tantos, e se esbalda enganando o povo com as propostas paternalistas (no caso dela, maternalistas) de fornecer refeição a R$1, hotel a R$1, vale de campanha a R$1, é uma fixação em dinheiro que atinge as raias do patológico. Mas, o povo é soberano e burro. Elegeu Rosinha - mulher, mãe, alisada e esperta - e deixou a Benedita - mulher, negra e favelada - pra ser ministra do Lula. No final do ano, Rosinha aproveitou que tinha perdido uns quilinhos e estava em boa forma, e fez uma ponta como índia no teatrinho da escola da filha. Sucesso total: conseguiu aparecer semi-pelada nos jornais. Entretanto, mesmo com toda a exposição e jeito de trambiqueira política da Rosinha eu, só de birra, não a indico para mulher Polemikos 2002. Vamos ver se ela apronta mais como governadora. A gente é que vai pagar o pato, mas, pelo menos, teremos mais material de nossa governadora representante do lado negro da Força. Aguardem.

Tirando a Rosinha, o mulheril ficou meio sem representantes para ganhar nosso amargo troféu. Temos a Gisele Bündchen que continua despontando nos cenários nacional e internacional. Ela mantém a imagem de magricela que consegue ter um bumbum respeitável e um rebolado de apavorar ortopedista de coluna. Isso no Brasil conta muito ponto. Até envolta nas peles de chinchila, com o sangue dos animaizinhos ainda fresco, maculando sua pele irretocável, ela bate um bolão. Mas é muita areia para nosso caminhãozinho. Vai ficar mesmo é para uso dos Leonardo Di Caprio, João Paulo Diniz e Ricardo Mansur. Na área das bundas e outras partes mais íntimas a disputa caiu de importância. A bunda ainda é o foco de atenção do brasileiro e de preocupação das brasileiras, mas a exposição está muito grande. Nenhuma das que tiraram a roupa foi além da capa da Playboy. Elas ganharam dinheiro e a chance de disputar programas de auditório, mas não se tornam estrelas como Xuxas e Adrianes Galisteus. Parece que moças que mexem as bundinhas e posam para revistas masculinas já virou commodity. O que é um resultado respeitável para o contingente feminino: as mulheres não estão mais vencendo pela bunda!

Estava eu nessa angústia quando, assistindo o noticiário da Globo, em 3 de janeiro de 2003, duas notícias vieram em meu socorro e mostraram o caminho da verdade. Foram dois crimes. Primeiro, um taxista que, com auxílio da amante de 13 anos (atentem para a idade: treze anos), armou uma cilada para a noiva e a matou com golpes de rolo de cozinha. No quesito escabroso, um crime antológico. No mesmo noticiário, uma jovem, apontada como tendo problemas mentais, raptou um bebê em uma maternidade e apareceu dizendo as amigas que estivera grávida e o filho era seu. A polícia desvendou os dois casos. Vocês conseguem ligar estes casos a outros de 2002? No ano passado, o noticiário policial foi recheado com dois casos com algumas semelhanças com esses que iniciaram o prontuário de 2003. Um foi o assassinato do casal Richthofen pela filha Suzane, ajudada pelo seu namorado e o irmão dele. Foi um primor de bestialidade e frieza. Os pais da moça foram mortos a golpes de barra de ferro, pelos dois rapazes, seguindo plano arquitetado pela bela e rica jovem estudante de direito. A moça abriu a porta da casa para os assassinos entrarem. Os motivos, apesar das inúmeras versões surgidas, parecem ficar no simples desejo da jovem em antecipar o recebimento da herança dos pais. A moça resolveu ficar livre deles, que cometeram o deslize de se interpor entre ela e a boa vida. Mostrando ser uma pessoa bem resolvida, matou os pais e dias depois deu uma festa de arromba para comemorar o aniversário. Mesmo nossa despreparada polícia achou a moça um tanto cool e daí para desvendar o crime foi moleza. Entretanto, apesar do amadorismo na execução dos pais, o desempenho de Suzane chama atenção. Depois da descoberta do crime, ela passou a bajular o irmão menor, chorando arrependimento e pedindo perdão. Sem dúvida uma boa linha de ação, pois é o irmão menor que poderá lhe fornecer dinheiro – que era dos pais que ela matou - para bancar os advogados de que ela, sem dúvida, precisará. Como exibição final de sua objetividade, a lourinha estruturou seu depoimento botando toda a culpa no namorado e o irmão dele, informando que foram eles que arquitetaram o plano, executaram o crime e são muitos maus, inclusive, foram responsáveis por ela ter se envolvido com drogas. Vemos que Suzane errou. Se ela entrasse para política, com estas qualidades de frieza e total falta de ética, poderia, certamente, ficar rica e, se isso lhe traz prazer, matar muito mais gente que os infelizes genitores. Sem dúvida, uma personalidade marcante de 2002.

exemplo  de amor materno 

Teve outro caso famoso nas colunas policiais. Foi o rapto de Osvaldo Júnior, o Pedrinho, que comoveu todo o país pela grandeza da maldade perpetrada e de mostrar como uma mentira pode se arrastar por tanto tempo. As mães acompanharam grudadas na tevê a evolução da história que conduziu ao quadro de rapto de um recém nascido há 16 anos atrás. A mãe adotiva, Vilma Costa, seqüestrou Pedrinho de uma clínica, logo depois do nascimento, e o criou como seu filho. O motivo para o crime foi fazer com que seu amante largasse a esposa para ficar com ela. Vilma fez o marido acreditar que se tratava de um filho seu. Infelizmente, Osvaldo Martins Borges, a quem Vilma convenceu ser pai da criança e que viveu com ela, já faleceu e não poderá contribuir para esclarecer os detalhes desse triste folhetim. Imaginem o sofrimento da mãe verdadeira que viveu boa parte da vida sem saber o paradeiro de seu filho.

Mas, isso tudo vocês sabem pelos jornais. Minha função, que exerço com total democracia, sozinho e em caráter irrevogável, é escolher a indicação para o disputado laurel Mulher Polemikos 2002. O prêmio este ano vai para Suzane e Vilma. As duas compõem bom retrato dos extremos atingidos pela falta de escrúpulos em nossa sociedade, da banalização da violência e no desrespeito à vida do outro. Uma, no papel de filha parricida, e Vilma, a mãe que sonega o filho de outra. Pela primeira vez, em virtude do conjunto da obra e da composição de atuações de Suzane e Vilma, elas dividem o prêmio Mulher Polemikos 2002. Desejo às duas vida longa, de preferência, em algum presídio do país.

- Ernesto Friedman -

para conferir:
Mulher Polemikos de 2001
Mulher Polemikos de 2000
Mulher Polemikos de 1999


 
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05janeiro2003
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