Cuidado! Começou de novo a investida para mexer nos investimentos dos fundos de previdência.
O renomado jornal Valor trouxe hoje (20/02/2026) matéria sobre investimentos de fundos de pensão. O mote do artigo é: “Previc diz que concentração de mais de 80% da carteira de fundos de pensão em títulos públicos federais é uma aberração”. O discurso por trás dessa afirmação é que os fundos precisam diversificar, buscando maior rentabilidade com investimentos no mercado de renda variável. Curiosamente, se esquecem do fator risco. O artigo tem argumentação dúbia. Parece alertar para que os fundos se prepararem para selecionar outros investimentos, quando as taxas oferecidas pelos títulos do governo vierem a cair. Mas o diretor de normas da Previc vem com a conversa de que é necessário antecipar investimentos aproveitando “as melhores oportunidades” do momento. Na verdade, a “aberração” está em alguns setores desejarem meter a mão na dinheirama dos fundos, correndo risco, investindo em ações, patrocinando investimentos do governo, tudo isso transferindo o risco para a conta dos beneficiários, enquanto os gestores e corretoras ficam com as gordas taxas de corretagem, para não falar de outros ganhos escusos que podem vir embutidos. É impressionante que a Previc, que deveria zelar pela segurança e rentabilidade dos fundos, enverede por essa recomendação danosa à poupança para a aposentadoria dos empregados.
Veja o caso da Petros, fundo de previdência dos empregados da Petrobras. Vejamos se tem alguma base o que esse pessoal recomenda. Para começar, a recomendação de sair dos papéis públicos, notadamente os títulos do tesouro nacional, contradiz a estratégia seguida (ainda bem!) pelos atuais gestores profissionais do fundo da Petrobras. Eles recomendam títulos do governo como sendo a melhor maneira de corrigir as perdas geradas pelas manobras ousadas (roubos?) realizadas nas gestões anteriores. Ganhou até um nome: “imunização”. A ideia é retirar da carteira o risco de investimentos que apresentam potencial de ganho juntamente com alta possibilidade de gerar resultados negativos. A imunização é absolutamente recomendável no nosso país pois o governo oferece hoje títulos com rendimentos do IPCA mais taxas de juros acima de 7%. Enquanto houver essa situação peculiar dos investimentos no Brasil, a solução investir em títulos públicos é invencível. É a estratégia ótima, por exemplo, para um fundo maduro como aquele da Petros que atende em sua maioria ao pessoal já aposentado. Resumindo:
- títulos do governo federal não tem risco ou é o menor risco do mercado;
- os benefícios dos aposentados são reajustados pelo IPCA. Aplicar em títulos vinculados ao IPCA garante o alinhamento do investimento com o indicador utilizado nos reajustes anuais dos benefícios;
- um título atrelado ao IPCA garante o reajuste dos benefícios dos planos de previdência e adiciona hoje rendimento de mais de 7%, que supera em muito a meta atuarial perseguida pela Petros, contribuindo para diminuir o déficit do plano;
- o foco em títulos do governo simplifica o modelo de gestão financeira para o plano de previdência com menores custos de equipes de analistas de investimentos;
- para os beneficiários, fica mais fácil entender e monitorar os investimentos. Trata-se de um investimento sem volatilidade com valor superior ao desejado pelo plano.
O artigo do Valor é um engodo. O discurso é viesado para carrear investimentos para o mercado de ações. Os interesses envolvidos são grandes. Os ativos dos fundos são da ordem de 1,3 trilhões de reais. Tem muita gente de olho nessa grana. Só podemos deixar uma recomendação. Tenham cuidado e atenção para a gestão do seu fundo de previdência.