Sexo in Rio

Esta é uma transcrição
livre do Querido Diário do americano Johnny B. Good, turista
sexual que veio ao Rio no verão de 2005. Vale a pena apreciar a
sensibilidade do relato do despertar de sua paixão pela Cidade
Maravilhosa.

Depois da semana de trabalho, cheia de intermináveis reuniões com os
brasileiros, desci do hotel para apreciar o mar da praia de Copacabana e,
quem sabe, contratar uma prostituta para relaxar. Era sábado, na semana
seguinte ao Carnaval. Muitos turistas ainda continuavam na cidade,
ajudando a manter a efervescente indústria de serviços sexuais do Rio.

Caminhando na calçada, junto à areia, fui abordado por Adilson (o
filho de Adil!?), um negrinho hiperativo que parecia ligado na tomada todo
o tempo. Ele oferecia seus préstimos como agente e guia turístico.
Aparentava vasto conhecimento dos meandros da cidade. Sua verborrágica
competência era cativante e decidi me orientar por este profissional que
não teria ainda 18 anos de idade e cujo corpo franzino fazia parecer mais
moço. Hipnotizado por seu inglês estropiado, mas fluente, combinamos um
arriscado programa noturno.

Pontualmente dez da noite, Adilson me esperava na porta do Hotel
Méridien. Fomos andar pela praia, passando em frente aos bares,
comentando as roupas extravagantes das prostitutas e o ridículo
vestuário pretensamente tropical de meus colegas turistas. Sobre a
calçada de pedras portuguesas (de Portugal?), uma variedade de serviços
sexuais eram negociados. Meu precoce guia demoveu-me da idéia de
contratar uma das moças. Havia serviços melhores! – dizia ele,
enigmático, buscando despertar minha curiosidade. E conseguiu. Partimos
para perpetrar o que Adilson chamava de the best of das
brincadeiras sexuais da cidade.

Seguimos um chinês alto e magro, acompanhado de um garoto parecido com
Adilson, e entramos numa transversal da avenida Atlântica. O cenário
mudou rapidamente. Chegamos a um trecho de rua escuro, cuja iluminação
pública estava com defeito ou – talvez não fosse simples casualidade?
– era destruída propositadamente para permitir o andamento dos
trabalhos oferecidos na calçada. Segundo Adilson, aquele era um Fast
Boquette
. O nome parecia de origem francesa, mas o que era servido era
conhecido e apreciado em qualquer lugar e em qualquer língua. Havia
cadeiras, quase poltronas, elevadas como aquelas dos engraxates dos
aeroportos, com rodas para facilitar seu transporte. Talvez o equipamento,
de vez em quanto, tivesse que ser retirado às pressas, quando a polícia,
em virtude de alguma circunstância imprevista, era obrigada a romper
temporariamente a firme conivência estabelecida com o comércio sexual de
rua. Eu, acompanhando as orientações de Adilson e de um atendente que
mal identifiquei no escuro, fui confortavelmente instalado, tive minhas
calças abertas por uma menina (acho que era menor de idade, diferencial
de qualidade característico do sexo profissional no Brasil e na
Tailândia) sorridente que me aplicou competente blow job. A
promiscuidade – eu podia ouvir os gemidos deselegantes do chinês que me
antecedera, se contorcendo em uma poltrona a poucos metros de distância
da minha – inicialmente me intimidou, mas foi aplacada pela penumbra.
Logo tomei coragem ou, mais certo, perdi a vergonha e me deixei levar pelo
prazer produzido pela boca da dedicada menina. Serviço rápido. Em dez
minutos, atingi o orgasmo e deixei os 50 dólares que pagaram a mulher, a
comissão de Adilson e o aluguel do estabelecimento (?). Estava
satisfeito. Voltei para o hotel e fui dormir com a negra magra,
longilínea, músculos delineados, que Adilson selecionou para mim, ali
mesmo, perto do hotel, na esquina da praia com a rua Princesa Isabel,
princesa esta, segundo meu guia, responsável pela libertação dos
escravos no Brasil. Dormi o sono dos justos.

Dia seguinte rumei com Adilson para o centro da cidade. Ele, como
sempre convincente, me fizera promessas de que havia muito a conhecer. Era
minha última noite no Rio e Adilson prometera uma experiência nova.
Insistia que eu era um cliente especial e merecia do melhor. Antes de
partirmos, me pediu para trocar uma nota de cinqüenta dólares em notas
de um dólar. Achei curioso, mas fiz como ele dizia, mesmo tendo que pagar
a taxa de 10% cobrada pelo porteiro do hotel. Adilson garantia que valia a
pena.

O programa que fizemos se chama Bonde do Tigrão (Big Tiger Train,
como dizia, rindo, meu guia). Saltamos do táxi na praça onde ficam as
barcas que atravessam a baía de Guanabara. De lá, pegamos um ônibus que
ia para o subúrbio. Os passageiros não eram exatamente a melhor
companhia para uma viagemnum coletivo. Havia muitos meninos negros, que me
olhavam como um peru de Dia de Ação de Graças. Mas Adilson entrou
cumprimentando todo mundo com intimidade, os garotos pareceram se
desinteressar de mim como próxima presa e fiquei mais calmo. Estávamos
em casa. Tão logo o veículo se moveu, um rádio, que ocupava todo um
banco de dois lugares, começou a tocar um som alto, com ritmo constante,
sobre o qual vozes falavam sem parar. Os passageiros, na grande maioria
jovens, meninos e meninas, se mexiam, se dobravam, produzindo movimentos
bruscos, concentrados nos quadris, seguindo a monotonia hipnótica da
música que Adilson ensinou ser o Hard Funk. Além de mim, havia
outros estranhos no ninho, certamente eram também estrangeiros convidados
para a festa. Adilson, fazendo de anfitrião, mostrou o que era servido
aos convidados. Na parte de trás do veículo, os fregueses foram
distribuídos pelos bancos propositadamente deixados vazios pelos
habituais desse transporte coletivo. Uma das meninas que mexiam as
nádegas com ferocidade enquanto se agachavam, aproximou-se de mim, e,
virando-se de costas, passou a esfregar o traseiro volumoso no meu colo. O
atrito acelerado provocou o surgimento de um volume no meu baixo ventre. A
coreografia e ritmo, executada para cada um dos fregueses, eram
estimulantes. Cada seqüência de esfregações era premiada com a
passagem de uma nota de um dólar para a mão da dançarina. Adilson me
orientou que não podíamos pegar nas garotas. Tratava-se de sexo seguro!
O exercício era convidativo e não demorei a retribuir os movimentos,
enquanto, com o uso das notas, mantinha a garota o máximo de tempo
possível dançando em cima de mim, antes dela se desvencilhar e ser
substituída por outra. Devia ter trocado uma nota de cem! Os rapazes
dançavam sem mostrar interesse pela excitação dos estrangeiros. Quando
eu já estava começando a me despreocupar em ter um orgasmo dentro das
calças, o fiel escudeiro Adilson me arrastou para fora do ônibus. Uma
das garotas, coincidentemente aquela que eu havia dado preferência no uso
dos dólares, apareceu como por mágica ao nosso lado na calçada. Mais
uma premeditação do eficiente Adilson? A menina voltou para Copacabana
no nosso táxi e subiu comigo para terminar a dança no quarto e fazer jus
aos 100 dólares que pediu. Me despedi de meu guia turístico deixando
gorda gratificação. O jovem profissional mereceu, ele deverá ter
sucesso na florescente indústria turística brasileira.

Viajei na dia seguinte, cansado, satisfeito e fascinado pela beleza do
Rio. Um lugar exótico e acolhedor. Pretendo voltar a esta magnífica
cidade outras vezes.

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