Sobre feminicídio

Assunto delicado. Qualquer comentário que não reforce a oposição a esse tipo de crime pode indicar tolerância por parte do autor, que será execrado, torturado (crime hediondo) e jogado na lata de lixo das redes sociais. Mas, vamos lá, o título do site direciona mesmo para riscos e polêmicas. 

Comecemos com uma informação: “No Brasil, a mortalidade por causas violentas é significativamente maior entre homens, com taxas até 3,7 vezes superiores às femininas, predominando em jovens de 20 a 24 anos. Homens são frequentemente vítimas de armas de fogo em via pública, enquanto mulheres enfrentam altos índices de feminicídio em casa, frequentemente por parceiros.” (Biblioteca Virtual em Saúde). Homens atuam em atividades mais perigosas. Vemos poucas mulheres trabalhando para o tráfico ou as milícias, que são atividades de alto risco. As mulheres ainda têm muito da vida ligada ao domicílio. Curiosamente, a casa onde moram e as protege da violência das ruas é uma armadilha, é o lugar onde mais acontece o feminicídio. 

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Títulos públicos nos fundos de pensão

Cuidado! Começou de novo a investida para mexer nos investimentos dos fundos de previdência.

O renomado jornal Valor trouxe hoje (20/02/2026) matéria sobre investimentos de fundos de pensão. O mote do artigo é: “Previc diz que concentração de mais de 80% da carteira de fundos de pensão em títulos públicos federais é uma aberração”. O discurso por trás dessa afirmação é que os fundos precisam diversificar, buscando maior rentabilidade com investimentos no mercado de renda variável. Curiosamente, se esquecem do fator risco. O artigo tem argumentação dúbia. Parece alertar para que os fundos se prepararem para selecionar outros investimentos, quando as taxas oferecidas pelos títulos do governo vierem a cair. Mas o diretor de normas da Previc vem com a conversa de que é necessário antecipar investimentos aproveitando “as melhores oportunidades” do momento. Na verdade, a “aberração” está em alguns setores desejarem meter a mão na dinheirama dos fundos, correndo risco, investindo em ações, patrocinando investimentos do governo, tudo isso transferindo o risco para a conta dos beneficiários, enquanto os gestores e corretoras ficam com as gordas taxas de corretagem, para não falar de outros ganhos escusos que podem vir embutidos. É impressionante que a Previc, que deveria zelar pela segurança e rentabilidade dos fundos, enverede por essa recomendação danosa à poupança para a aposentadoria dos empregados.

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Turnover no funcionarismo público

Tem que mandar gente embora todo ano.

Turnover é o movimento de entra e sai de empregados numa empresa. Se sai muita gente, pode ser problema de gestão da empresa que não consegue segurar talentos. Se não tem rotatividade, é sinal que a empresa não se renova, tende à estagnação, à acomodação de seus funcionários e perda de produtividade. Pois bem, Jorge Lehman (o guru!) prega um modelo de meritocracia em que, todo ano, são demitidos 10% da força de trabalho. Vão embora aqueles que têm as piores avaliações ou indicadores de rendimento. Para repor quem saiu, busca-se contratar no mercado pessoal rigorosamente selecionado. É um modelo de melhoria contínua da qualidade dos colaboradores da empresa. Em princípio, a produtividade da empresa deve melhorar. A pressão por bons resultados tem impacto positivo na produtividade da empresa, mas se conduzida em com excessos pode acarretar tensão nos recursos humanos podendo gerar resultados contrários aos desejados, com queda na produtividade. A dosagem da aplicação desse modelo é a grande arte do gestor de pessoal nas empresas.

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Homem do Ano Polemikos 2016

De vez em quando, lembramos de premiar um homem que se destaca, em geral, se debandando para o lado negro da Força. Sabem quem ganhou em 2013: Renan Calheiros. Sensacional! O ato síntese do seu prontuário naquele ano foi usar avião da FAB pra ir fazer implante de cabelo.

Mas eis que estamos encerrando 2016, um ano prenhe de mau-caratismo. Foi pródigo na canalhice. Tivemos o espetacular Eduardo Cunha, que brilhou o ano todo, mas cuja estrela se apagou quando foi fazer seu retiro enjaulado em Curitiba. Teve Lindinho se batendo pra salvar Dilma. Lula tentou aparecer dizendo que a Lava-jato tirou muitos empregos. O ministro Dias Toffoli fez um pedido de vistas que quase o levou para o pódio. A lista é grande. Mas Renan é muito competitivo. Não podia deixar barato. No final do ano, passou a perna nos concorrentes. Driblou até o pessoal do STF que vinha correndo por fora. Continue lendo “Homem do Ano Polemikos 2016”

Advogados atuando na operação Lava-jato enfim mostram serviço

Os advogados que defendem os envolvidos na corrupção desbaratada pela Operação Lava-jato resolveram agir. A coisa não vem andando como o esperado. Os bacanas pagam uma grana preta aos melhores advogados (sem dúvida, os mais caros) e continuam enjaulados como canarinhos. Só saem quando decidem abrir o bico e cantarolar os nomes e ações dos outros envolvidos. Os clientes devem ter começado a se perguntar se a grana que eles tão dificilmente colheram na distribuição de propina estava sendo bem empregada. Os advogados se assustaram. Como continuar a manter o “ganha-brioche”? A prosaica solução foi cobrar em matéria paga nos jornais uma atitude mais benevolente da equipe de procuradores e juízes da Lava-jato. O texto do esperneio podia ter começado assim: “Não era esse o combinado!”

Ficou meio ridículo o choro dos defensores de personagens de honestidade ilibada do quilate de Nestor Cerveró, Delcidio do Amaral, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros. Mas eles agiram bem. Como não podem fazer mágica, livrando essa turma da cadeia, eles optaram por mostrar aos clientes que estão pressionando para ter alguma moleza nos processos. Os presos (atuais e futuros) estão agora mais tranquilos com a destinação dos milhões amealhados no trabalho duro por eles perpetrado em prol do desenvolvimento do país.

Fica minha opinião quanto ao rigor com que a PF e Ministério Público têm apertado os membros da quadrilha: “Eu acho é pouco.”

FGTS para as domésticas ajudou na decisão: está demitida!

Demiti a empregada. 

Lindo. O governo, sempre atento a melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro, criou lei obrigando os empregadores a pagar  FGTS para suas empregadas. Eu pagava salário na carteira para uma empregada no regime de trabalho três dias por semana. A implantação desse direito das empregadas domésticas sai caro. Fica difícil negociar com as empregadas. São, em geral, pessoas humildes, que são adestradas para considerar que FGTS é um direito delas, que deve ser acrescentado ao salário. Infelizmente não é. Trata-se de mais um custo para o empregador. Convencer a empregada que ela deve aceitar diminuir seu salário para terFGTS é tarefa árdua. Talvez se o FGTS fosse opcional, patrão e empregada negociando sua aplicação, a coisa fosse mais razoável. 

Além do provável aumento do custo da empregada doméstica, a implantação da lei que trata do FGTS e outras vantagens é uma tragédia burocrática, com várias parcelas de impostos e seguros, que exigem utilização de um site (que até hoje não funciona direito). Sou zeloso do uso do meu tempo. Não quero perdê-lo seguindo os processos infernais inventados pelos sábios de nosso legislativo. 

O governo fica bem na fita. Cria um novo “direito” para as domésticas. De quebra, vai fazer caixa com os depósitos do FGTS, que será remunerado a míseros 3% ao ano.

O governo me ajudou a resolver. Demiti a empregada e passei para o modelo de diarista duas vezes por semana. Menos uma carteira de trabalho no Brasil. 

Pagar advogado é melhor que depositar dinheiro na Suíça

E disse Levandowski, presidente do STF:

“… São, pois, ilegais quaisquer incursões investigativas sobre a origem de honorários advocatícios, quando, no exercício regular da profissão, houver efetiva prestação do serviço. ”

Não entendi. O Brasil é realmente complexo. Um sujeito rouba loucamente a Petrobras. Junta algumas dezenas de milhões de dólares da rapina que praticou. Se ele separar, digamos, dez milhões de reais para seu advogado, esta grana fica automaticamente lavada e se torna inviolável. Ninguém pode correr atrás dela. O advogado que embolsa a grana do ladrão da Petrobras ou de um traficante, tem seu bolso protegido pelo STF. A parte do dinheiro roubado que é canalizada para o advogado (quase um sócio intocável) não volta mais.  

É bonita nossa justiça. Os bandidos da corrupção têm direito aos melhores advogados, os mais caros, que estarão sempre disponíveis e interessados em defendê-los, sabendo que os honorários que eles esquentam não volta mais para quem foi roubado.   Continue lendo “Pagar advogado é melhor que depositar dinheiro na Suíça”

E nasce uma igreja…

É a vida. Difícil dádiva, que não sabemos quem ofertou. Boa parte dos nossos problemas começa nessa ignorância. De uma hora pra outra, uns macacos pelados resolveram ter consciência. E a coisa degringolou. Foi demais pro nosso caminhãozinho. Não sabemos responder aquelas perguntinhas básicas: O que somos? De onde viemos? Pra onde vamos?
Ao longo de nossa história recente (bota um dez mil anos nisso) alguns personagens fora de série idealizaram seres superiores, que teriam nos criado. Das propostas desses personagens especiais (Jesus Cristo é o mais renomado, pelo menos do lado ocidental do planeta), criaram-se um sem número de religiões. Religiões são a organização das superstições. Em alguns momentos as religiões foram úteis para pôr ordem no caos social da antiguidade. Alguns estados absolutos, onde o monarca se dizia divino e mandava e desmandava, foram expostos a um poder mais alto, um Deus. A nova ideia de que tinha um ser superior dando conta de olhar pela espécie humana foi bastante oportuna para colocar limites no poder de reis, imperadores e suas variantes. Dado o estado de barbárie que imperava na antiguidade, alguns preceitos como “amar o próximo” eram pura vanguarda revolucionária. 

As religiões não são mais tão úteis assim. Continue lendo “E nasce uma igreja…”

Investigações chegam a Lula

Se a polícia e as CPIs chegaram, eu não sei, mas a imprensa já chegou. Está vindo à tona as relações íntimas do ex-presidente com as empreiteiras que foram flagradas na Operação Lava-jato. Estas empresas se mostraram particularmente motivadas em pagar vultosas quantias para as palestras do nosso grande líder. Também foram super generosas com o Instituto Lula. É impressionante como o dinheiro era lavado. O dinheiro alimentou o ideal que restou aos petistas: “encher a burra de dinheiro”. 

Vai feder. 

só queria entender: por que devemos usar cintos de segurança nos carros e os passageiros andam em pé nos ônibus?

É inquestionável: O uso de cintos de segurança contribui para diminuir a gravidade dos acidentes nos carros. Quantas pessoas foram salvas pelos cintos de serem jogadas contra os volantes dos automóveis, mesmo em pequenas colisões. Sem dúvida foi um avanço na segurança nos transportes. Então, por que os ônibus são autorizados a trafegar com passageiros em pé, sem nenhuma proteção para acidentes. Conheço um caso em que dois irmãos foram jogados contra os bancos e tubos do interior do ônibus, quando este se envolveu numa colisão no Centro do Rio. Um rapaz quebrou o fêmur e o outro teve um edema cerebral. Se estivessem sentados com cinto de segurança, seria apenas um susto.

Então, qual é a hipocrisia da vez? É certo que o uso dos cintos nos carros já diminui muito os efeitos dos acidentes sobre os passageiros. Mas, e os simples mortais que andam de ônibus? A legislação não devia protegê-los também? Criou-se lei recente obrigando os ônibus a terem ar condicionado. Ótimo. No calor escaldante do Rio, um frescor dentro do ônibus será muito bem recebido. Mas, e a segurança? Não devia ter lugar sentado para todos nos ônibus? E todos usando o cinto.

Eu só queria entender…