Deixa Ela Entrar, uma vampira no estilo sueco

Na revista Rio Show de 20.11.09, a crítica de Tom Leão era categórica. O filme Deixa Ela Entrar era, dizia ele, excelente. Ele também cometia a leviandade de colocar o bonequinho em pé aplaudindo. Tom rasgava elogios a esta produção sueca sobre vampiros. Fui ludibriado por esta forte recomendação e vi o filme. Tom devia estar com alguém a sugá-lo o pescoço para se impressionar bem com esse filme B.

A história de vampiros é um achado para gerar vários estilos de filmes. Serve, por exemplo, para fazer filme de terror com bastante ketchup. Também pode-se utilizar a história de Drácula, escrita numa Inglaterra Vitoriana, e brincar com a figura do homem que adentra o quarto das mulheres no meio da noite para lhes proporcionar prazeres irresistíveis. Sexo reprimido é isso aí! A série Crepúsculo usa bem esse tesão contido para emocionar e intumescer adolescentes nos seus quartos de dormir. Como disse uma leitora de jornal outro dia: – o vampiro de hoje, que chega num Volvo esporte, é o príncipe no cavalo branco de outrora.

O clima frio da Suécia, numa interminável noite gelada é ambiente adequado para criaturas estranhas. E é lá que surge uma menina vampira de 12 anos. Não chega a ser novidade. Lembram-se de Entrevista com o Vampiro. “Deixa ela entrar” tenta dar significado ao amor infantil do garoto Oskar (bela figura, ele daria um bom vampiro andrógino) pela vampirinha Eli. Mas o diretor não resiste ao apelo do sangue e cai na besteira de repetir by the book o manual do vampiro. Temos direito a demonstrações de força e medo da luz. O vampiro também só pode entrar na sua casa se for convidado. Sabiam? Lembram de Doce Vampiro de Rita Lee. Só isso já dava umas boas metáforas. Mas o uso feito no filme foi anêmico. Ficou bobo, só faltou o cordão de alho pendurado na porta.

O filme podia ficar nisso, explorando a relação das crianças. Mas há a tentativa de usar efeitos especiais, com resultados toscos, que são de levar as gargalhadas.

O filme parecia que ia engatar em mostrar a relação entre menino e menina num momento do rito de passagem do garoto frente aos colegas da escola. Boas metáforas estavam ali para serem tratadas. O filme não foi por aí. Não deu certo. Discordo de Tom Leão que diz ser “Deixa Ela Entrar” um puro-sangue na categoria. O sangue coalhou.

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