em tempos de iPad, ainda falamos de Kindle

estou me preparando para praticar a grande traição: trocar os livros por uma engenhoca eletrônica

Faz algum tempo, pesquisei sobre o Kindle no site da Amazon. O sistema inteligente de monitoração dos clientes da Amazon deve ter me incluído como possível interessado pela evolução do produto. Ou seja, entrei na mala direta da Amazon sobre o Kindle. Bem, se eu não tivesse gostado do material que recebi, chamaria de spam, mas eu gostei. O email começa assim: “Como alguém que demonstrou interesse anteriormente no Kindle, nós achamos que você poderia querer saber de seus novos recursos…”. O link trazido pela mensagem me direcionou para uma página esperta contendo todas as informações que se pode desejar saber sobre o leitor eletrônico de livros da Amazon.

O bichinho é atraente. Tenho curiosidade de saber como será meu relacionamento com os livros quando estes gadgets se estabelecerem. Conseguirei me manter afastado da sensação de pegar no livro ou sentir o cheiro do papel? Veremos. O Kindle, mede 8mm de largura e pesa menos de 300g. Ele é menor e mais leve que o iPad da Apple, que pesa 680g. O iPad é um micro com tela sensível ao tato que pode, pelo pequeno tamanho, ser usado para ler livros. Para ler deitado, que eu ainda pratico, o peso do Kindle mantém a atividade viável e mais confortável, pois certos livros são bem pesados. Segue o resumo do problema apresentado pelo bloguista Cristóvão Pereira: “O peso do Kindle dispositivo já está no limite suportável de um leitor que não seja um halterofilista. O Kindle dispositivo pesa menos da metade do peso do iPad – com apenas WiFi. E o iPad é duas vezes e meia mais pesado que o Kindle dispositivo na sua versão com WiFi e 3G.”

O Kindle custa US$260, que o inclui entre os produtos baratos para a classe média americana. Aqui deverá custar mais de R$1.000.

O fetiche de comprar o livro pela beleza da capa, que tantos estragos causam aos bolsos dos aficionados, ficará praticamente anulado pela frieza dos bytes transferidos para o aparelho. Entretanto, como um livro pode ser baixado em cerca de 60 segundos, as compras por impulso vão aumentar. O futuro nos dirá o que será mais forte na definição do tamanho da demanda por livros. Para os mais gulosos, saibam que um Kindle pequeno pode carregar cerca de 1.500 livros. Quantos de nós já leram este número de livros em toda a vida? O livro eletrônico mudará o conceito do que seja uma biblioteca grande. E o preço dos livros baixados será menor que os livros físicos. Ainda custam US$10 para lançamentos nos EUA, mais US$2 para download para o exterior dos EUA, mas a tendência é que os custos declinem.

Outro ponto que chama atenção foi o esforço dos fabricantes para produzir imagem de qualidade para a leitura, que se assemelhe ao papel. Ela não reflete o a luz externa e permite a leitura mesmo à luz do sol. Podemos escolher até seis tipos de fontes. Com o e-book acaba o golpe de certos autores preguiçosos que escrevem pouco e usam de artifícios como fontes grandes, desenhos intercalados ou enormes distâncias entre parágrafos para encher o livro de papel. A bateria que mantém o aparelho funciona por até uma semana no modo de leitura depois um download por wireless. Pelo que entendi, o download é que consome a bateria.

Falamos de livros, mas o dispositivo de livro eletrônico permite ler jornais (O Globo já é oferecido em Kindle), revistas e, mesmo, seus próprios documentos no formato PDF, que já vem disponível no Kindle. Se você gosta de livros, mas não é um bom leitor (?), o Kindle pode ler para você “alto e claro”, entretanto não sei se ele já sabe fazer isso em Português. Sem dúvida, saberá um dia.

Taí! Ia falar da qualidade da propaganda da Amazon para seu produto e falei da qualidade do produto. A questão que está escrita nas estrelas e pode ser baixada para o Kindle é quanto tempo meu amor pelo papel e inércia para mudança vão me manter distante do livro eletrônico. Começo a contar o tempo: tic tac tic tac…

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