drogas, guerras, mocinhos e bandidos … e quando teremos soluções?

O dito tráfico de drogas são fornecedores de produtos demandados com firmeza pela população. Como a população quer muito – e a ilegalidade atrapalha – os preços são elevados, a margem de lucro é altíssima e a dinheirama do negócio proibido sai comprando policial, guarda penitenciário, juiz e, não menos importantes, os políticos. Arnaldo Bloch resume, em sua crônica de 27.11.10, a pressão de demanda dos consumidores: “A demanda existe e existirá, sempre. Por álcool, por café, por chocolate, por maconha, por cocaína, por Prozac, por Viagra, tudo que vier da terra ou dos loucos laboratórios. A não ser por mutação genética, o ser humano sempre cavará o chão para provar todos os gostos, cheiros e efeitos.” É para constranger ouvir o discurso de “mocinho contra bandido” que é aplicado nesta história de combater estes comerciantes informais, que “entregam o que prometem” a seus ávidos consumidores.

Calma! Já ouço alguns no fundo da sala dizendo que isso não é hora. Que devemos nos alinhar com o governo contra o tráfico. Calma, estamos alinhados, mas com moderação! A unanimidade, a carta branca, a confiança exagerada, a delegação do poder são atitudes perigosas. Por que não se fala com seriedade na legalização das drogas? Isso ia tirar a fonte de lucro dos traficantes que tanto tememos. Ia tirar o bem bom do mensalão das drogas que chega para políticos que discutem e bloqueiam o avanço das leis. É melhor fazer o discurso hipócrita de “queremos paz”? De novo Arnaldo Bloch: “… inaugurou-se uma agenda (contra as drogas) mais flexível. Espanha, Portugal e vários países estão liberalizando seus códigos penais com ótimos resultados.” No mundo, a discussão da liberação das drogas avança. A Califórnia quase liberou a maconha em plebiscito recente. O argumento financeiro (os americanos são bons nisso) era de que custa muito caro manter alguém preso porque fuma, compra ou vende maconha. O preso custa US$210 mil por ano nos EUA. Um estudante na escola custa apenas US$9 mil. Portanto, é melhor investir em educação do que ficar colocando na cadeia os consumidores que querem ficar doidões fumando maconha. O Brasil é muito preocupado com cotas para os negros. Nos EUA, os negros são maioria entre os presos. Como são pobres, são mais expostos à atração pelos salários e poder que o tráfico oferece. Com menos acesso a bons advogados, sãos os cidadãos de origem humilde que enchem os presídios. Podia ser reduzida a cota “reservada” no Brasil para negros presos por causa de drogas …

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