Cosmopolis [David Cronenberg]

É a versão deprimida de Nove Semanas e Meia de Amor. Esse filme de 1986, com os queridinhos da época Mickey Rourke e Kim Basinger (acreditem, eram jovens e bonitos) glamourizava o charme do dinheiro obtido no mercado financeiro. Nove Semanas mostrava o status dos muito ricos, direcionando sua mais valia para um erotismo estético, que tornou o filme exemplo de “pornô leve” e povoou as fantasias sexuais e financeiras da meninada.

Já Cosmopolis, pós-quebradeiras de Wall Street e depois dos chineses chegarem tomando conta do mundo, tem uma abordagem deprê, claustrofóbica, sem charme. É como um réquiem para os bilhões de dólares americanos e o poder que eles representam, que se esvaem pelos ralos da competição com os amarelos de olhinhos fechados. A imagem do povo americano protestando em Wall Street e os ricos de procurando por um corte de cabelo perfeito é boa síntese das diferenças dessa grande democracia. Isso tudo aí, conduzido pelo mestre do mal estar David Cronenberg, dá bom mau resultado. Não esqueçam que o diretor tem em seu currículo competentes e desagradáveis filmes como o insuperável Gêmeos – Mórbida Semelhança.

Cosmopolis se baseia numa peça e ficava melhor como tal. O melhor da coisa toda é a falação que corre solta. Se bem que é pura enganação falar sobre problemas econômicos através de metáforas que não buscam rigor e, portanto, podem ser qualquer coisa. A plateia, que em sua grandíssima maioria não entende o que acontece com o Yuan e não sabe o que é o Baht (nada como Google: é a moeda da Tailândia), fica agradecida, sorri em cumplicidade e permanece na ignorância.

Este filme vai produzir fenômeno curioso. Algumas mocinhas vão se rasgar em cruz quando encontrarem seu sensual vampirinho Robert Pattinson sofrendo uma crise existencial e financeira sem graça e sem sangue (!). Algumas vão pedir o dinheiro de volta. O filme até tem cenas de sexo, mas sem o erotismo de Nove Semanas, o bilionário personagem mostra enfado e passividade. Tanto é que as moças ficam sempre “on top position”. Mas será prazeroso para elas saber online que a próstata do herói é assimétrica. Em tempo: a beleza da atriz Sarah Gadon, que faz a asséptica esposa do bilionário, é irretocável. Deixo a foto para o deleite dos leitores.

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