Razão Filosófica e Religião

Da série recorte de jornal, tirado de entrevista do filósofo Michel Onfray, em O Globo:

Como o senhor avalia o embate entre a razão filosófica e a religião no mundo contemporâneo?

A razão é sempre minoritária, e a religião sempre majoritária, pois a inteligência é mais rara que a obediência. As pessoas preferem uma ficção que lhes dê segurança, uma lenda que lhes apazigue, histórias para crianças que lhes permitam dormir tranquilos, em vez de verdades que inquietam, certezas que angustiam. É por isso que religião jamais desaparecerá do planeta, e porque os filósofos dignos desse nome serão sempre minoritários.

Irretocável.

2 thoughts on “Razão Filosófica e Religião”

  1. Acho que o comentário de MO é um tanto enviesado, pois opõe saberes que, a despeito da visão dele, a própria história humana trata de aproximar cada vez mais. Há na filosofia, filosofias que teimam em levar homens e sociedades para sendas tais que, ao final, somente lhes restam a certeza de que a tal razão filosófica apenas construiu o próprio irracionalismo e o abismo do tormento. Pará dizer pouco e dar exemplo, é só ver o que nos proporcionou como racionalidade o marxismo e seus derivados: terror e genocídio!
    Por outro lado, é possível afirmar sem medo que, o cristianismo por exemplo, fez o suficiente para dar ao planeta grandes conteúdos para a construção da justiça, da preservação do saber, inclusive filosófico e, por mais que professores de cursinho invoquem sua críticas “pertinentes”; ajudou a construir o Ocidente como o vemos e o temos ainda hoje.
    Mesmo um filósofo como MO deve, ao deitar-se para dormir, ficar a utilizar sua extrema capacidade de raciocínio para tentar explicar porque, apesar de seu saber total e sua razão incontestável, ter ele ainda tem de se submeter a essa ridícula condição de ter necessidade de, por exemplo, comer frango. Imagine, a existência dele e de todos nós, homens racionais, sem que tivéssemos a produção de um frango? Não haveria razão suficiente para suprir a ausência dessa ave fundamental. Um frango, apenas um frango e a humanidade estaria assim dizendo, como que diante de um “imperativo categórico”: – Não é possível viver sem isso, um frango! Nossa condição humana portanto, não nos dá mesmo grande margem para que imaginemos-nos tão senhores das circunstâncias. Somos precários em demasia e, não há filosofia capaz de superar as necessidades humanas, nem aquela de, pasmemos!: de um frango.
    Assim, entre uma coisa e outra, filosofia e religião, creio que dá pra aceitar que as religiões ou, o crer que a vida é mais que sistemas racionais e, por que não, frangos; não se trata de querer se submeter a historinhas para crianças. Afinal, quantas histórias adultas de terror jà nos deu ou deram as filosofias?
    Fico com uma alma grandiosa da humanidade, filósofo prá mais metro, prá mais da conta. Aliás, talvez o pai de todos: Sócrates. Diz-se que antes de morrer e, da forma como todos o sabemos que ocorreu com ele, o grande filósofo e mestre de todos falou: “Causa de todas as causas, tem piedade de mim.” Bem, creio que está aí um exemplo muito interessante de que filosofia e transcendência, ao final, podem ser a medida de todos os homens e, de todo conhecimento.
    Bem, acho que meu frango assado já está pronto. Vou cumprir uma de minhas condições!
    Obrigado pela chance de falar e, gostei muito de seu site. Parabéns !

  2. Bem, é apenas um comentário provocador, já que hà nas religiões, ou naquilo que e possa chamar assim, de verdadeiras construções do mais alto grau do uso da razão e, há naquilo que se possa afirmar como filosofia muito de pura ficção ou delírio. Por obra de muito pensar filosófico já se construiu utopias absolutamente irracionais – socialismos e comunismos, por exemplo -, e, por obra de pensamento religioso já se proporcionou para a humanidade grande cabedal de conhecimento da história e da alma humanas. Enfim, ao término disso tudo resta ao homem, diante de um universo cujo sentido é imperscrutável, ficar à espera de que a vida tenha mesmo algum significado maior do que apenas ter de criar frangos para comê-lo fritos ou ensopados, por conta de que à noite, depois da janta, se possa deitar e ter pesadelos com a sensação de que o chamado sonho, por certo, acabou. Mas, quê sonho terá sido esse? Não hà filosofia possível que o possa desvendar. Nem cartesianismo, nem ciência, nem existencialismo, nem mais “ismos” outros!
    Fico então com o velho e especial filósofo, pai de todos os seres da filosofia que, ao aceitar a morte inevitável, teria dito, quase religiosamente: “Causa de todas as causas, tende piedade de mim”.

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