New Orleans, EUA

misteriosa e saborosa cidade que não parece ficar nos EUA

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Este artigo foi escrito antes do Katrina quase destruir a cidade. Esperamos que New Orleans tenha recuperado seu charme.

É diferente das cidades comuns americanas. Até calçada tem! O apelo de Nova Orleans é o trinômio música-bebida-sexo. Os brasileiros estão acostumados com o estilo. Nosso carnaval vem recheado de boa dose das três coisas. Para os americanos, entretanto, com seu puritanismo hipócrita, é enorme sensação de liberdade ir a um lugar onde se pode andar na rua com copos de cerveja na mão sem ser molestado pela polícia. A fama da música vem do jazz. O swing dos negros é vendido em casas de show o dia todo. Os clássicos dançantes dos anos 70 aparecem nos bares da Bourbon Street em apresentações quase amadoras, mas cheias de emoção e afinadas com o teor alcoólico da audiência. A bebida dominante é a cerveja. Servida em copos plásticos (única exigência legal que eu percebi) ou em garrafas de 1,5 litros (também de plástico), o suco de cevada é consumido na rua em ritmo acelerado e leva a turistada a estados elevados de euforia. Cada um na sua viagem: pessoas gritam, falam alto, dançam na rua. Parece Ipanema em dia de banda. Claro que o consumo exagerado tem seu preço. É comum ver gente passando mal, sendo carregado ou, apenas, encostada num canto esperando as idéias e as imagens voltarem ao foco. O sexo vem como decorrência. Casas de shows de strip-tease são muitas. As moças vêm à porta estimular os fregueses a entrar. Nada muito empolgante. Rostos sem vida, peles brancas esmaecidas, a juventude sendo apagada dos corpos pela labuta no negócio de mostrar (ou emprestar) o corpo, assim são as moças que empolgam os mais carentes ou aqueles com os sentidos abatidos pelo álcool. As limusines que circulam pelo Quarteirão Francês deixam entrever moças saindo ou chegando de algum atendimento “delivery”. São a prova de que muito deve acontecer invisível para o turista comum, que é o meu caso.

A cidade agrada. A música, a comida Cajun, parecida com nossa cozinha baiana, o mistério das culturas e o sexo impregnando tudo, criam atmosfera atraente para uma visita. É uma cidade onde podemos encontrar vampiros, no puro estilo Lestat, de casaca e cartola, andando por uma rua transversal deserta. Arrepiante. Leva algum tempo para se perceber que são apenas figurantes de uma casa de shows indo para o trabalho. Ou não são figurantes?


Para chegar

O aeroporto Louis Armstrong é muito simpático. De lá para a cidade, um táxi sai por US$33, preço fixado em tabela. Valor baixo para uma cidade turística famosa. Mas, atenção com os motoristas de táxi. É comum tentarem definir preço por fora do taxímetro. Para quem quer economizar, há ônibus que leva do aeroporto ao French Quarter (US$3). Se não houver muita bagagem, dá para andar a partir de seu ponto final até os hotéis da área.

A geografia da cidade é fácil. A área delimitada pela beira do rio, Canal St., e Bourbon St., formam o núcleo do quarteirão francês. por ali, dá para se ir andando a qualquer lugar. Para fazer compras, é necessário um táxi. Ir ao Wal Mart ou Best Buy, sai cerca de 15 dólares a corrida. É possível ficar na cidade sem alugar carro. O táxi, se não houver trampa do motorista, é barato em virtude das pequenas distâncias entre os pontos da área turística.


Para dormir

O recomendado é ficar dentro do French Quarter. Se não for possível, fique o mais perto possível. É um típico caso de “you get what you pay”. Se você ficar a 500m de Bourbon Street, será mais barato, mas vai ter que cambalear (depois de você beber muita cerveja, certo?) à noite pelas ruas meio vazias. Não parece muito seguro e a paranóia brasileira de assaltos não deixará você tranqüilo ao cruzar com um grupo de mal encarados batendo papo na calçada.

Uma opção para quem está com grana: Astor Crowne Hotel. Sua localização é nada mais que a esquina de Canal com Bourbon. A entrada principal é na Canal St., mas uma porta lateral leva aos prazeres da Bourbon. É literal. Uma moça do staff da Hustler (casa de show pornôs) às vezes fica ali de bobeira convocando os fregueses ou, simplesmente, fumando um cigarro, que ninguém é de ferro. Preço (me refiro ao hotel): salgados US$200.


Para passear


Nova Orleans é cidade pra gente andar. As ruas estreitas do French Quarter mostram casas de cores fortes, com belas varandas, a marca registrada da cidade. É arquitetura simpática que agrada até aos menos letrados no assunto. Antes de ir, verifiquem qual é o evento de música do momento, tem sempre coisa rolando.

Coisas básicas a fazer:

– Bourbon Street. É o óbvio de Nova Orleans. Dá pra dançar rock. Ouvir algum jazz (o melhor fica fora da badalação da Bourbon). Tomar porre. Ver os outros de porre. Ver as moças mostrando os seios para ganhar colares coloridos atirados das varandas das casas. Algumas mostram as calcinhas também. Tudo depende da empolgação e do teor alcoólico. Se der sorte, assistir uma parada, algo como uma mini escola de samba sem organização e movida a sopro de metais.

– Jackson Square. Praça principal da cidade. Local utilizado para eventos de música. Vários bares em torno. No canto junto ao rio, na esquina de Decatur St. com St. Ann, encontra-se o Café Du Monde, famoso pelos seus sonhos (o doce). Boa parada para descansar as pernas.

– French Quarter. Andar perdido pelas ruas do bairro é bom programa. Royal Street (paralela a Bourbon) é cheira de lojas de antiguidades e ateliês. Muito agradável. Boa prática: ziguezaguear nos quarteirões caminhando da Bourbon até a Jackson Square.

– Harrahs Casino. Enorme cassino na esquina de Canal com o rio Mississipi. Mesmo sem jogar, vale a pena entrar por uma porta em sua extremidade e andar (são uns quinhentos metros lá dentro) vendo os viciados jogando nos caça-níqueis. O barulho insistente, as luzes, tudo contribui para por adrenalina nos jogadores. Alguém mais sensível pode ter um ataque epilético. Apesar do jogo ser proibido aqui no Brasil, achei o cassino igualzinho a um bingo, só que maior. Aguardem, a gente chega lá.

– Passeio de barco pelo mississipi. Meio bobo. O barco é movido por rodas com pás. Entretanto, a vista é meio sem graça, é um trajeto com pouco para mostrar. Serve mais para preencher o calendário da viagem.

– Aquarium of the Americas. Também na beira do rio e perto da Canal St.. Passeio para turista de carteirinha. Engraçado é ver os peixes da Amazônia atrás de janelas de vidro. Confesso que nunca os tinha visto no Brasil.

– Passeio de bonde. Da esquina de Canal com Bourbon, parte o bonde para bonito passeio pelo bairro residencial antigo. Boa opção.


Para comer&beber

A comida Cajun e Creole é o típico de nova Orleans. O jambalaya – um arroz de freezer metido a besta – varia de lugar para lugar. É gostoso. O feijão temperado também. Comer o crawfish (algo como um lagostim) é boa pedida pois é barato e fácil de achar. O camarão também aparece em várias boas formas, destacando sua presença nos sanduíches po-boys.

– Arnaud’s, 813 Bienville St., na esquina com Bourbon St.. Boa pedida para um jantar de curtição. Um menu completo (entrada, prato principal e sobremesa) sai por US$33. Comida bonita e deliciosa. Um vinho Francis Coppola (por que não?) pode ser experimentado por meros US$32. A vinícola do afamado diretor produz coisas agradáveis. Paga-se um couvert artístico de US$4 por pessoa para ouvir jazz Dixieland num salão com belas janelas dando para a efervescência da Bourbon Street.

– Lucy’s Retired Surfers Bar and Restaurant, 701 Tchoupitoulas St.. Agradável lugar para degustar crawfish. De tarde, eles são lavados em grandes tonéis na calçada. Tem um preço (US$15) para comer “all you can eat”. Muito bom. Pra quem gosta de trabalhos manuais desmontando o crustáceo e chupando suas patas, é o paraíso, por seis dólares (hoje, R$18) tem-se um prato cheio dos bichos para serem destroçados. O Serious Nachos (US$6), deliciosa tortilha com queijo e soar cream, é realmente coisa séria.

– Acme Oyster House, Iberville St., primeira entrada a direita de quem entra na Bourbon a partir da Canal St. Todos conhecem. Desde 1910, local indicado para comer um jambalaya ou po-boy. O problema do Acme é sua fama. A fila na entrada é permanente. Mas, merece a visita.

– Mother’s Restaurant, 401 Poydras St.. É fora do French Quarter e se autodenomina ter o melhor presunto defumado do mundo. Realmente, sua carne assada e o presunto são delícia. O serviço é curioso. Entra-se numa fila para fazer o pedido e os garçons levam depois à mesa. É um negócio tocado por negros e lembra o Sylvia’s, de Nova York. Sugiro um Famous Ferdi Special (US$8), que permite experimentar o presunto e a carne. Jerry’s Jambalaya (US$7,30) é boa oportunidade para saborear o tradicional prato da cidade. O pudim de pão (Us$4) se destaca como sobremesa.


Para comprar

Um antigo governador do estado criou lei para que nós, os turistas, não paguemos a taxa usual aplicada sobre os produtos comprados (exceto comida), que aumenta os preços em 8,40%. Uma maravilha. Você vai na loja compra, preenche um documento registrando o valor do reembolso e, na partida, no aeroporto, recebe a devolução em dinheiro. Atenção que as lojas não gostam de nos lembrar dessa facilidade. Se você esquecer de pedir o registro de liberação do imposto na hora da compra, pode fazer a solicitação no aeroporto, entretanto, dessa maneira não receberá o dinheiro na hora, eles enviarão pelo correio. (Nota: Minha última viagem a New Orleans foi pouco antes da tragédia do Katrina. Não tive coragem de depositar o cheque da devolução do imposto.)

A Canal St. tem comércio de lojas de eletrônicos. Não recomendo. Os preços saem acima do que se acha na Best Buy ou Wal Mart, mesmo se pagando o táxi para ir lá.

Em torno da esquina da Canal com Bourbon, há várias lojas que vendem tênis. Foot Locker, Attlete’s Foot, FootAction … Entretanto, não se acha muita variação de marcas. Para comprar shorts e camisas é mais complicado. A moda do basquete predomina e os modelos de camisas e shorts são muito grandes.

  – Gustavo Gluto –

6 comentários em “New Orleans, EUA”

  1. Gustavo, gostei muito das informações, foram muito úteis. Fui para New Orleans a trabalho por uma semana em Dezembro. Dos lugares que você citou, pude ir ao French Quarter à noite, noitada paga pela empresa, e beads para distribuir pra galera da sacada. Esse colares são pesados, dá até medo de jogar de lá de cima… Fui na Acme também, só que fui na filial em Metairie, que é perto de carro e não tem tanta fila. Lá eu pedi um medley, que tem um pouco de cada prato típico, muito bom! Fiz a travessia do Mississipi no Ferry Boat, que tem duas linhas, uma a cada meia hora para Algiers Point (sem atrativos) e outra Gretna, que tem intervalo de mais de 1 hora, onde ficam as lojas – Best Buy, Ross, Target, todas com preços muito bons. Detalhe: fui caminhando da estação das barcas para as lojas, levei uns 15 minutos, ruas tranquilas de subúrbio, ninguém na rua (o povo americano não anda a pé, só vai de carro). O Ferry Boat é gratuito para pedestres e cobra US$1,oo por carro. Conheci uma loja de roupas masculinas chamada Jos A Bank, ternos finíssimos por ótimos preços. Lá acabei comprando uma mala para terno com preço promocional: de US$ 500 por US$ 100! Acho que foi minha melhor compra. Ah, pra quem planeja ir lá, dá pra acessar o site http://www.neworleansonline.com/ e solicitar um guia, eles enviam pelo correio, tem um mapa da cidade e as principais atrações, cupons de desconto e ofertas. Obrigado pelas dicas, que ajudaram muito. Abs. Cássio

  2. Estou programando viagem para N.O. e gostei bastante das informações, escritas de forma simples e objetiva.
    Vou ver o que consigo conhecer, vão ser duas semanas a trabalho, então no final de semana vou ter de aproveitar ao máximo.
    Na volta posto um feed back.
    Obrigado.

    Respondendo: Oi Cassio. Aguardamos seus comentários sobre Nova Orleans. Abraço.

  3. Gustavo parabéns pela forma simples e prazerosa pela qual você escreve.
    Estou elaborando um evento de Blues e quer fazer com que toda a cidade respire o ar de New Orleans. Como nunca fui até lá estou lendo sobre o local e garanto a você que, após mais de 10 artigos, vc realmente conseguiu me traduzir o espírito de N.O., exatamente o que precisava.
    Muito obrigado

  4. Caro Gustavo,
    Gostei muito do seu artigo sobre Nola; as dicas me pareceram ótimas. Incentivada por um paixão platônica pela cultura negra americana, pretendo ir ao Jazz & Heritage Festival este ano, que contará com a presença luxuosa de Aretha Franklin, minha diva-mor. Poderia me indicar uma agência de turismo com um pacote confiável que eu possa contratar? Grata antecipadamente pela atenção.

    Respondendo: Prezada Emilce. Obrigado pelo feedback. Infelizmente, sempre fui a New Orleans por minha conta e risco. Reservei e comprei diretamente passagens e hotel. Deixemos seu comentário aqui para ver se alguém ou alguma agência entra em contato com você. Boa viagem.

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