Gastar ou Não Gastar, Eis a Questão

Em matéria da semana passada, Mauro Halfeld, consultor de investimentos e comentarista da rádio CBN, falando sobre como administrar o orçamento neste final de 2008, recomendava cautela no uso do 13o salário. Como as demissões estão previstas em todos os setores, o conselho de Halfeld é para que as pessoas guardem parte desse ganho a mais do final de ano para enfrentar eventuais dificuldades financeiras em 2009. Para o bom entendedor, ele sugere que os empregados poupem hoje, pois poderão ser um dos muitos que ficarão desempregados no próximo ano.

De outro lado da corda, o presidente Lula, demonstra preocupação com a queda das vendas e recomenda justamente o contrário do que preconiza o especialista Halfeld. Lula pede que todos consumam, porque senão nós todos vamos “nusfu” em 2009. Seu raciocínio é que se não houver consumo, não haverá necessidade de produtos, e não haverá porque as empresas produzirem, e não haverá porque manter empregados se não há o que produzir e as empresas vão colocar os empregados no olho da rua, ou seja, na rua da amargura. O raciocínio do Lula, surpreendentemente, tem lógica. A cadeia de fluxos econômicos está ameaçada por rupturas que podem provocar o colapso de toda a cadeia. Resumindo: se ninguém consumir, vamos todos pro buraco.

Há então dois caminhos de ação. Consumir ou não consumir. Que fazer? Infelizmente, acho que o “não consumir” vai prevalecer. O fato é que entramos no chamado ciclo vicioso. Agora, todos acham que as coisas vão dar errado, vão piorar, que a demanda vai cair, que os empregos vão minguar e, por isso, todos vão atuar buscando se proteger, poupando, diminuindo despesas, o que alimentará o processo das coisas piorarem. É o fenômeno contrário ao que acontecia até a pouco, quando estávamos no ciclo virtuoso, e todos achavam que o mundo estava uma maravilha, que as ações iam se valorizar indefinidamente, que os investimentos todos eram lucrativos, e que tudo iria dar certo. Da mesma forma que havia a euforia do crescimento, assistimos agora toda a gente deprimida pela crise. Da mesma forma que a manada apostou na melhoria indefinida dos indicadores, a mesma manada vai apostar massiçamente na derrocada do sistema. Parafraseando o presidente Obama, isso pode fazer com que as coisas piorem muito antes de melhorar. Até chegar ao fundo do poço, as pessoas vão buscar proteção e com isso vão empurrar o mercado mais e mais para baixo. A boa notícia é que isso acaba. Quando a crise nos levar ao fundo poço, a partir daí as coisas vão começar a melhorar. Fica apenas esta questão: onde é este fundo do poço e quando chegaremos lá?

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