Aluguei no Now, da Net. Eta coisinha ruim. O roteiro é até engraçado. Parece uma metáfora, ou é uma paródia? Da situação dos mexicanos, morrendo de inveja da vida de sonhos dos americanos. A vida do gringo não tá tão invejável assim, mas ainda serve pra fazer um scifi onde os chicanos, os coitados que foram deixados na favela em que se tornou a Terra, querem ir para a estação orbital do luxo e imortalidade saudável. Deve ser o suburbano pobre no ar poluído da Cidade do México sonhando ir para Miami. Qual língua falam os miseráveis deixados aqui? O espanhol, é claro. Os ricos vivem na estação que é o equivalente aos bairros ricos e cafonas da Florida. O maior objeto de desejo dos pobres são as camas milagrosas que curam todas as doenças, que os ricos, não entendi qual o motivo, não compartilham com os pobres. O filme é a representação dos pobres americanos ou imigrantes invejando ter o seguro saúde, ou seja, o Obamacare.
Mesmo com este esforço para achar graça no modelo de separação ricos e pobres, o filme é fraquinho. Matt Damon e Jodie Foster, sempre bem pagos, interpretam os principais papéis da história. Pura burocracia. É curioso o uso de artistas brasileiros para fazerem os personagens “latinos” excluídos. Alice Braga e Wagner Moura cumprem com tranquilidade a tarefa de carregar seus personagens.
E é isso. Uma bobagem típica de filmes de ficção científica ruim, com bastante dinheiro para efeitos especiais conservadores. Na linha dessa história, valeria mais ver ou rever o inovador Distrito 9.
Já Cosmopolis, pós-quebradeiras de Wall Street e depois dos chineses chegarem tomando conta do mundo, tem uma abordagem deprê, claustrofóbica, sem charme. É como um réquiem para os bilhões de dólares americanos e o poder que eles representam, que se esvaem pelos ralos da competição com os amarelos de olhinhos fechados. A imagem do povo americano protestando em Wall Street e os ricos de procurando por um corte de cabelo perfeito é boa síntese das diferenças dessa grande democracia. Isso tudo aí, conduzido pelo mestre do mal estar David Cronenberg, dá bom mau resultado. Não esqueçam que o diretor tem em seu currículo competentes e desagradáveis filmes como o insuperável 
Fraquinho. O personagem está bombado. Ao incrível intelecto dedutivo do personagem criado por Conan Doyle, acrescentaram-se grande capacidade física e um quê de previsão de futuro, que transformaram o moderno Sherlock Holmes em um típico super-herói. Os menos conhecedores do personagem original, vão achar que Sherlock Holmes é uma cópia do médico House, dos seriados de TV (!). Mas quem vai ver a franquia Sherlock Holmes espera por histórias desse tipo. O ritmo frenético, as piadas geradas pela relação entre Holmes e seu amigo Watson, vão segurando a história. O arqui-inimigo (super-herói tem que ter um arqui-inimigo) Professor Moriarty funciona bem. O irmão de Holmes, incluído no grupo, não acrescenta muito ao quadro geral da história. A fotografia escura faz parte do da programação visual da época. A afetação dos atores Robert Downey Jr. e Jude Law é adequada para as brincadeiras do 007 da antiga Londres, se bem que os aventureiros viajam bastante durante a história. O resultado final é um filme sem compromisso para passar o tempo no final de tarde ou para assistir no futuro na TV paga. Elementar!
Fui com um amigo ver Noite Americana no finado cinema Rian. Eram as famosas estréias de sábado, às 22h, nos idos dos anos 70. Era um agito. Este filme de Truffault é maravilhoso! Como uma de suas dádivas, o filme sacramentou Jacqueline Bisset como das coisas mais lindas imortalizadas no celulóide. Bem, meu colega de turma da esquina, entendeu que era um filme de aventura, com porradaria correndo solta e outros adereços de um filme de ação. Eu ri muito quando saímos do cinema e ele declarou sua perplexidade frente ao filme “lentinho” e bobo que acabara de assistir. 
