Tropa de Elite, de José Padilha

retrato da elite da tropa. quem é polícia? quem é bandido?

Meninos, eu vi! O filme foi copiado para a rede. Tropa de Elite é show! Os envolvidos já foram presos. Devem ficar na cadeia. Pausa. Renan Calheiros, entretanto, não deve ir para trás das grades. Fecha pausa. Depois que a cópia caiu na rede, o povo passou a “baixar” o filme e o mercado paralelo virou festa. Continue lendo “Tropa de Elite, de José Padilha”

Vicolo Nostro

Rua Jataituba, 29. Brooklin. tel. (11) 5561-5287clique aqui para ver o mapa

bom restaurante fino de Sampa

É lugar fino de São Paulo. Daqueles que a gente entra e encontra o povo de terno, acompanhado de mulheres muito bem tratadas. A riqueza paulistana exuda no salão. A decoração de tijolos aparentes e plantas criam ambiente aconchegante. Mesas grandes atendem bem a casais e grupos elegantes. O endereço é difícil de achar. Os motoristas de táxi se deliciam em rodar – o taxímetro ligado – procurando o local. Numa ruazinha do Novo Brooklin, onde não se espera encontrar nada, surge a casa com guardadores de carros na porta. É ali.

Minhas idas ao Vicolo Nostro passam sempre por uma combinação de salada seguida de uma massa. Não estou muito errado, pois o forte do lugar são as massas italianas. O restaurante não decepciona. As saladas são visualmente impressionantes e saborosas. Trazem alguma novidade na combinação. As massas, seja um ravióli recheado de cordeiro ou outra com recheio de bacalhau, apuram nosso paladar. Deve haver outros veios para serem explorados. Eu é que sou um sujeito limitado. Financeiramente também. O Vicolo é caro. Quantas vezes você já pagou R$6 por um expresso? Pois é. O serviço traz um sortido de paezinhos para humilhar os visitantes do Rio, acostumados à má qualidade dos pães cariocas. Os vinhos são caros. O razoável argentino Alamos, sai por R$75. Um exagero. Entretanto, a escolha, auxiliada por solícito sommelier, mostrou-se muito boa para acompanhar o jantar.

Para quem tem bolso forrado o restaurante merece visitas. Um jantar para dois, dividindo uma salada e uma massa, acompanhadas do vinho citado acima, fica por R$110. Que fique o registro: tudo estava irrepreensível, com destaque para a usual qualidade do atendimento das casas de São Paulo.

Por que os senadores roubam?

uma explicação técnica para os corruptos brasileiros

Por que os senadores roubam? Eles têm boa vida. Ganham bem. O trabalho de liderar o legislativo de uma nação deveria ser por si só gratificante. Mesmo assim, eles buscam riqueza financeira por caminhos escusos. E fazem isso roubando o dinheiro do povo. Continue lendo “Por que os senadores roubam?”

Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso [Jared Diamond, 2005, Editora RCB]

Magnífico! Um livro essencial. Depois de ganhar o prêmio Pulitzer com seu famoso livro ““Armas, Germes e Aço””, Jared Diamond nos traz “Colapso”, antológico trabalho sobre a evolução das sociedades. Ele analisa com detalhe e elegância, porque elas sucumbem e porque são bem sucedidas. O livro é um curso intensivo para nos atualizarmos sobre as dificuldades do relacionamento da humanidade com a natureza. E está na hora de se informar sobre o assunto. O meio-ambiente está na pauta do dia. Continue lendo “Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso [Jared Diamond, 2005, Editora RCB]”

Jardim de Napoli

R. Dr. Martinico Prado, 463. Santa Cecília. tel. (11) 3666-3022 clique aqui para ver o mapa

A estranha cidade do sul é pródiga em bons restaurantes. (Nota: a cidade referida é São Paulo.) Tem para todos os gostos. Como a grana circula com força na grande capital, encontramos lugares caros para gastar o dinheiro que sobra. Infelizmente não é meu caso. Persevero na busca de boas relações benefício/custo. Tinha uma dica. A cantina Jardim de Napoli e seu polpetone. Continue lendo “Jardim de Napoli”

Somos pela Liberação do Aborto

Feriado da Páscoa. A Igreja, através de seus sacerdotes, aproveita a visibilidade para atacar o movimento pela discussão da legalização do aborto. Notem bem: a Igreja, tradicionalmente contrária ao aborto, não quer discutir o problema, procura atuar para impedir que o assunto seja tratado pelo povo através da maneira mais democrática: um plebiscito sobre a legalização do aborto. Portugal, recentemente, teve seu plebiscito e o aborto foi legalizado.

Mas parece que as coisas não serão tão fáceis para os religiosos. O novo governador do Rio, Sergio Cabral, deu a deixa. Ele se declarou a favor do planejamento familiar. Mais precisamente, ele considera que a discussão sobre o aborto deve acontecer. O Ministro da Saúde José Temporão também defende a realização de plebiscito sobre a legalização do aborto. Para ele esse é um assunto de “saúde pública”. O tema “legalizar o aborto” aparece com força nas agendas políticas e na imprensa. Zuenir Ventura usou seu espaço na página de opinião para comentar sobre as meninas-mães. Trata-se do enorme índice de mulheres, ainda crianças, que ficam grávidas em nosso país. Ancelmo Gois também tratou do assunto na edição de domingo do jornal. Miriam Leitão, faz algum tempo, declinou a estatística crua que mostra o perigoso caminho que nosso país está seguindo. É mais ou menos assim: as mulheres brasileiras mais miseráveis têm muito mais filhos que aquelas que têm condições de criar bem seus filhos. Uma mãe na faixa de renda abaixo de um salário mínimo tem em média mais de cinco filhos. A taxa para as mulheres com renda superior a 10 salários mínimos é de apenas 0,6 filhos por mulher! Assim, como bem registra Zuenir Ventura, o país está crescendo através de crianças geradas sem uma perspectiva de vida minimamente descente. Esses filhos e filhas, na maioria das vezes, vão compor um lar onde o pai foge de sua responsabilidade, deixando a mãe jovem para cuidar da criança. Essas famílias (ou semi-famílias) são o celeiro de crianças violentas, sem estrutura para freqüentar escolas, destinados desde sempre à marginalidade. E depois ficamos reclamando da violência das cidades? Todos conhecem a mais comentada das sacações do livro Freaknomics, que defende que a causa da diminuição da violência em Nova York não foi a política de repressão mais rígida. O motivo real foi a aprovação da legalização do aborto em 1973, que impediu a geração das crianças indesejadas, aquelas mais prováveis de se tornarem os marginais.

Então, este é o assunto do dia. A Igreja já disparou seu discurso contra o aborto ou qualquer prática de planejamento familiar. Sua orientação passa pela solução mais óbvia e pouco eficaz de ser implementada, que é o puro e simples celibato. Sexo, fica para procriação. Sem dúvida, uma proposta atual e alinhada com os anseios e realidades dos cidadãos e cidadãs. De nossa parte, ficamos com a posição radical. O aborto deve ser aprovado no país! Que seja legalizado o direito da mulher sobre seu corpo. Que não tornemos marginais as mulheres que realizam abortos a cada ano. Fiquem surpresos: o número de abortos supera o número de partos. O trabalho não é pequeno. Além do aborto, um grande projeto de educação é a solução maior para esclarecer os jovens do impacto em suas vidas se gerarem filhos indesejados ou não planejados. Entretanto, que se tome vergonha: comecemos, legalizemos o aborto em nosso país.