As ações do presidente americano no seu primeiro ano de governo são difíceis de encaixar numa estratégia coerente de país. As endeusadas tarifas estão sendo danosas para a economia. O midiático ataque e captura do presidente da Venezuela foram apresentadas pelo presidente, não como a esperada maneira de restabelecer a democracia no país, mas para atingir o objetivo de garantir o controle das reservas de petróleo do país. A empreitada militar pode ser pouco efetivas. O petróleo venezuelano não é tanto, não é de qualidade e não será fácil de extrair. O petróleo não está dominando a matriz energética como antigamente. Hoje, há painéis solares e energia eólica ocupando cada dia maior parcela da oferta de energia mundial. Alguns comentários que Trump faz em seus discursos também são absolutamente falhos ou totalmente equivocados. Citando apenas um: em Davos, em reunião de líderes mundiais, Trump fez um discurso deambulante e declarou que a China produz equipamentos para energia eólica mas não os usa, “empurra para os idiotas comprarem”. Vejam só, a China é responsável por 40% da energia eólica mundial produzida! Na área estritamente política, o presidente americano criou um Conselho Mundial da Paz para tratar da recuperação de Gaza. A instituição mais parece um fundo de investimentos para cuidar da construção de hotéis na área arrasada de Gaza. Trump puxou para si a administração do projeto, que começa com aportes de um bilhão de dólares de cada parceiro. O presidente parece tratar esse assunto como um projeto de “real state”, que foi sua principal área de atuação como investidor.
Dá para escrever laudas sobre as atitudes bizarras do presidente norte-americano. É preocupante. Falamos da mais importante democracia do planeta. O que der errado com o modelo americano vai se refletir sobre o conceito geral de democracia. Até agora, internamente nos EUA, apenas os “comunistas” do Partido Democrata estão criticando (acho que pouco) o presidente. O Partido Republicano se calou, apostando mais nas benesses do controle do Estado. A mídia moderna (diga-se, redes sociais) mantem a narrativa de que o governo está bem, que a economia está mais maravilhosa que nunca, a inflação cai, o desemprego se reduz. No fronte externo, divulgam que os países se dobram às ameaças de tarifas do Presidente americano. As redes são poderosas. Tem muita gente achando que o país está indo “beautiful”. A reação internacional também é tíbia. Com a brilhante exceção do primeiro ministro canadense afirmada em seu discurso em Davos, os países vão perigosamente contemporizando. Tergiversar em tema tão sensível não deve dar em coisa boa.
Por esses dias, depois da atuação constrangedora de Trump em Davos, com seu discurso circular, atacando e ameaçando países parceiros e utilizando dados falhos (que, quando ditos por um presidente, podem parecer mentiras premeditadas) começam a ficar mais frequentes os comentários colocando em dúvida a saúde mental do presidente. Será efeito da idade? Alguma deficiência cognitiva chegando? O idoso ficar doente não é culpa do paciente. O presidente talvez esteja agindo sob efeito de problemas mentais que acentuam pontos fortes da sua personalidade. O estilo Trump de ser, machista, egocêntrico, sua busca permanente de reconhecimento, agressivo, deselegante no trato, isso tudo se agudizou. A culpa maior da situação atual não é do doente, é daqueles que se aproveitam das fraquezas do quadro clínico do governante para tirar proveito próprio ou simplesmente se eximirem de tomar uma posição. Deixar rolar não deve levar a boa solução. As coisas vão piorar neste 2026. Não precisaremos chegar a 2027.