A competição é a alma do negócio! Não é bem isso. A competição é que chegou ao negócio das almas. Criptográfico? Talvez, um pouco. Explicando: as religiões estão competindo acirradamente pelos clientes, digo, pelos fiéis. Mas, é a mesma coisa, não? Os intermediários de Deus lutam sua cruzada de marketing para obterem os fregueses aflitos que vão soltar a grana na fim do culto. As Igrejas Universais e suas correlatas genéricas saíram na frente vendendo milagres a curto prazo, desbancando a Igreja Católica, que também gosta de grana, mas vende o paraíso depois da morte. A Santa Madre Igreja funciona no mercado de longo prazo, faturando alto com as heranças deixadas para o Vaticano e seus franchises, perdão, paróquias. Mas, o mercado se estreita e as empresas têm que ser ousadas. A Igreja Católica têm um diretor de marketing que merecia passar por umas sessões de tortura da Santa Inquisição. Será que foi ele que recomendou ao CEO do Vaticano (me refiro ao Papa) que seria de bom tom dar uma coça nos homossexuais? Mas o fato é que a Igreja, recentemente, caiu de pau nos pobres gays (e nos ricos tmbém). Voltou a conversa de que veadagem é doença, é coisa do demônio, aquele discurso demente com 2000 anos de idade. Eu não sei não. Pode até ser que os carolas e os enrustidos (são mais ou menos a mesma coisa, né?) se excitem com a caça às bruxas e bruxos. Tá bem que os gays não são o melhor mercado para propalar a castidade, o coito interrompido e a trepada mensal regida pela tabelinha. A jogada pode ser: já que não posso catequizá-los, vamos perseguí-los. Os homossexuais podem estar sendo usados para tirar mais grana dos beatos. Esse dinheiro será, então, canalizado para pagar os processos abertos pelos pais dos meninos que foram abusados pelos padres pedófilos de Boston. Vai rolar muito milhão de dólar da Santa Sé para encobrir este “pequeno” deslize dos padres tarados da cidade. Por sinal, nesta cidade americana, está dura a competição entre os vendedores de prendas divinos. A The Old South Church de Boston criou o receptivo The Lesbians, Gays and Friends Fellowship que congrega a turma alternativa da cidade. Intervalo no discursos irado: “esta antiga Igreja, fundada em 1669, têm uma prática liberal e advoga os direitos dos gays desde de 1972”. Volta a ira: É bom ver que há um racha no discurso furibundo das Igrejas contra o homossexuais. Apesar do quê, registre-se, é uma tradição da Igreja Católica se amarrar às causas furadas. Ela é contra a camisinha, contra o aborto, contra o planejamento familiar. Há coerência nos erros. Tem gente que vê virtude nessa coerência. Eu vejo apenas babaquice.
Em Busca do Tempo Perdido [Marcel Proust, 2001, Companhia das Letras]

Já entrado nos anos (no bom sentido), decidi por me aventurar nos clássicos. Boa literatura não há de fazer mal a um sujeito prenhe de sentimento como eu. Continue lendo “Em Busca do Tempo Perdido [Marcel Proust, 2001, Companhia das Letras]”
Sobre Meninos e Lobos [Dennis Lehane, 2001, Companhia das Letras]

Ganhei o livro de presente. Eu não sabia de Dennis Lehane e foi um prazer conhecê-lo em seu livro Sobre Meninos e Lobos (Mystic River). Ele já tem fama antiga e criou uma dupla de detetives, Patrick Kenzie e Angie Gennaro, que, em outro livro, Um Drink Antes da Guerra, lhe proporcionou prêmios e reconhecimento. Continue lendo “Sobre Meninos e Lobos [Dennis Lehane, 2001, Companhia das Letras]”
F para Falso
um ensaio sobre o falso e as simulações
Recentemente escrevemos sobre Matrix, ainda em cartaz e fazendo carreira de sucesso no Rio. Depois disso, recebemos alguns pedidos para comentar o filme O Show de Truman (1998). Os pedidos vieram sempre relacionando os dois filmes. O que eles têm em comum? Continue lendo “F para Falso”
Pousada Tankamana, Itaipava
Búzios, Rio de Janeiro
A Ditadura Envergonhada [Elio Gaspari, 2002, Companhia das Letras]
O jornalista Elio Gaspari obteve, em 1984, uma bolsa de estudos, com duração de três meses, no Wilson Center for International Scholars, com a qual pretendia escrever um ensaio sobre duas figuras importantes da ditadura militar de 1964: Gal. Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva. Continue lendo “A Ditadura Envergonhada [Elio Gaspari, 2002, Companhia das Letras]”
‘s
tradicional restaurante do Leblon
Continue lendo “‘s”
Homem do Ano Polemikos de 2002
Foi um ano fraco para a escolha do Homem Polemikos. Os corruptos, tradicionais candidatos, em virtude da grande quantidade de casos que apresentaram, ficaram difíceis de se destacar. São tantos que não conseguimos eleger este ano o graúdo, um que sintetizasse a classe, como o juiz Nicolau, o ícone da corrupção em 2001. Vocês já devem ter esquecido, por exemplo, do magnífico marido de Roseana Sarney, o Jorge Murad, o homem que só paga em dinheiro vivo. O cara é tão vivo que acharam 1,4 milhões de reais em notas de R$50 em sua empresa. Até hoje não se sabe quem proporcionou a ele esta grana. Murad, profissional da área, ficou quieto, saiu de cena, e deve continuar atuando em sua lucrativa carreira. Em compensação, o velho patriarca Sarney está nas paradas como líder político apoiando o governo Lula. Somos uma terra de cordiais. Ninguém liga o lustroso cabelo do acadêmico Sarney com as estripulias da filha e marido Murad. Ainda na política, o candidato Garotinho saiu-se muito bem nas eleições presidenciais de 2002, apesar de ter uma manchinha no seu prontuário. São as tais fitas que o ex-governador não deixa ninguém escutar. Prefere ver o diabo pregando na sua Igreja do que deixar a imprensa divulgar suas conversas negociando prêmios em dinheiro para seu antigo programa de rádio. O início de 2003 mostrou que sua eficiência em esconder detalhes de sua história não se repetiu na hora de perceber que seus homens de confiança na fiscalização de impostos estavam ligeiramente mais ricos. Coisinha de 30 milhões de dólares. No mínimo, o pio Garotinho pecou por displicência. Pode ser que o evangélico governador ainda venha a atolar na lama do Silveirinha&Amigos. Ainda não foi sua vez de ganhar nosso laurel. Vamos ver como ele se sai como marido da Garotinha.
Um leitor de Polemikos lembrou de um grande personagem da área cinzenta que existe entre o futebol e a política brasileira. Nas palavras do leitor: “Ricardo Teixeira, apesar das mazelas, cambalachos e falcatruas que acompanharam toda a sua longa gestão na CBF, ainda se manteve na direção da entidade, sobrevivendo ao bombardeio das CPIs. Não satisfeito, ainda pleiteia um cargo de direção na FIFA. E ainda tenta construir uma imagem de dirigente vitorioso, aproveitando o título da Copa do Mundo 2002, ganho com nenhuma gota de seu suor. Portanto, para mim, o Homem Polemikos 2002 é Ricardo Teixeira, a prova viva de que, no Brasil, a picaretagem ainda vale a pena.” Fica registrado o voto do anônimo e sagaz leitor. Ainda teve mais gente importante no futebol. Ronaldo e Romário continuam a escrever suas histórias fora de série. Ronaldo foi o fênix que saiu de um joelho bichado, que muitos achavam ter encerrado sua carreira de atleta, para ganhar a Copa do Mundo e virar o jogador de futebol do ano. Este não é polêmico, é premiado pelos céus. Já o baixinho Romário, apesar da idade provecta, continua perto da pequena área fazendo gols e criando casos. Ele diz que quer chegar aos 1.000 gols. Estamos aguardando.
Na política brasileira, Lula brilhou junto com a estrela do PT. Elegeu-se presidente. Terminou o ano quase como um personagem mítico. Atualmente está em Davos, no Fórum Mundial, botando o dedo na ferida da indiferença mundial dos mais ricos pelos mais pobres. Ele seria a escolha natural para o título de Polemikos. Entretanto, a unanimidade não nos interessa. Vamos dar mais tempo ao metalúrgico para ele mostrar como se sai no poder. Já FHC saiu de cena para entrar na boa vida. Ou continuar a boa vida, porque ele pareceu ter usufruído bem do status de presidente. O pollítico da boa conversa, do turismo com cerimonial, do discurso intelectual, do bom vinho, FHC vai curtir o sucesso em Paris e outros points internacionais. Não precisa de nossa modesta comenda. Que vá em paz.
Na briga entre Bin Laden e Bush, o primeiro continuou a tirar o sono do segundo. Bin Laden, ficando quieto, fez mais mal que se tivesse agido. Ficou todo o mundo esperando outra ação espetacular do magrela de lençol na cabeça. Já, o porta-voz das empresas de petróleo e também presidente dos EUA, George Bush, aproveitou a deixa do Bin Laden para tocar seu projeto de controlar das reservas do petróleo mundial. A Venezuela, coincidentemente – e tem gente que acredita mesmo nestas coincidências –, se desestabilizou. Os EUA prontamente pediram a saída de Hugo Chávez e a colocação na presidência de um político mais maleável aos interesses estratégicos dos americanos. Até hoje Chávez não foi tirado de lá e se não fosse tão pouco fotogênico poderia se tornar um líder contra o poder mundial absoluto dos EUA. Mas, parece que o latino que vai ter maior exposição na mídia em 2003 vai ser nosso Lulinha Paz e Amor.

Cansados de buscar alguém e desejosos de resolver logo esta pendenga, decidimos premiar o velho George W. Bush. Ele não é brasileiro, mas, convenhamos que seu poder não tem fronteiras. O homem mais poderoso do mundo teve um ano morno. Preparou uma enorme guerra, como fosse uma ereção, e está postergando o orgasmo em busca do motivo que lhe dê o mínimo de legitimidade para bater no Saddam Hussein. O ano de 2002 terminou com mais de 100 mil soldados americanos lá nas arábias prontos para dar uma raquetada no antigo aliado americano. Assim, pela capacidade de sobrevivência, pela competência em esconder as armas de destruição em massa que o Bush diz que ele está preparando, escolhemos o velho Saddam como nosso Homem Polemikos de 2002. Esperamos que este prêmio seja nossa modesta contribuição para a lista de motivos de Bush para invadir o Iraque.


