Mulher do Ano Polemikos de 2000

E as mulheres? Como sempre, as mulheres foram lembradas pelas fortes impressões visuais que causaram. Nossa Gisele Bündchen já nem fala português direito mas nós exigimos que ela mantenha a cidadania brasileira. É um patrimônio a zelar. Brilhou nas passarelas e fechou o ano 2000 como a mais endeusada e endinheirada das top models. Vale lembrar que seu sucesso se deve em muito ao volume e desenho dos seios, região que os brasileiros não privilegiam tanto quanto a preferência nacional: a bunda. Por sinal, os seios das mulheres, mas do que elas próprias, foram notícia. Quase ganham o prêmio feminino. Tornou-se uma parte do corpo maleável (?), no sentido em podem ser aumentados ou diminuídos conforme o interesse da proprietária. A lista de recauchutagens peitorais é extensa. Note-se que um personagem, de novela, é claro, que circulou no imaginário masculino, foi a prostituta Capitu, nossa Pretty Woman, cuja atriz não dispunha de recursos de busto como recomenda a moda do ano 2000. Resumindo, entre peitos e bundas, muitas meninas ganharam grana somente pelo visual. Até a pequena Sandy, lembrada nas cartas de nossos leitores, teve mais sucesso estimulando a tara de alguns do que através de seus CD, todos absolutamente iguais em conteúdo. Vai uma menção honrosa para Sandy, musa do João Gordo (MTV) e dos quarentões tarados.

Mas o resultado final foi auspicioso. Contrariamente ao destaque masculino de 2000, a seriedade acabou por prevalecer na escolha feminina. A Mulher Polemikos de 2000 foi Marta Suplicy. A vitória da senadora sobre Maluf, contumaz representante das trevas, foi um momento histórico da política brasileira. O PT conseguiu de uma só tacada, conquistar a prefeitura de São Paulo, colocando no posto não apenas uma mulher, mas uma conhecida representante da elite esclarecida brasileira. Este conjunto de características diminui o repúdio à imagem Lula do PT. É inegável que o partido tem a oportunidade de construir, com Marta, um patamar para maiores ambições nacionais.

Entre as qualidades de Marta Suplicy foi notória a importância de seu domínio da mídia. A competência com que bateu em Maluf nos debates levaram os eleitores em casa a orgasmos dignos de serem analisados pela ex-sexóloga. O momento símbolo de Marta Suplicy em 2000, que resgatou a participação da mulher como cidadã neste Brasil conturbado, aconteceu no programa Jô Soares, quando este arriscou uma graça e interrogou a recém eleita prefeita de São Paulo sobre as cores vermelhas de roupas íntimas que ela usaria ou referenciara em seu antigo programa de rádio. Marta Suplicy aplicou-lhe competente puxão de orelhas, ressaltando o inconveniente de usar o tempo da prefeita de São Paulo para discutir coisas tão insignificantes.

Marta Suplicy dignificou a presença das mulheres fora das passarelas, capas de revista, se rebolando em grupos de pagode ou, mesmo, como mera esposa ou secretária que aparece para denunciar o marido ou patrão corrupto. Marta pode ir longe. Assistiremos!

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