O fim da realidade

Com a gigantesca quantidade de informação que temos acesso hoje, prenhes de fakenews, está cada vez mais difícil descortinar pelo menos um pouco do que seja de verdade. Já nem sei se existe essa preciosidade: a realidade.

Assisti parte do discurso do Estado da União do presidente dos EUA (23/02/2026). Foi maçante, parei depois de meia hora. A transcrição e matérias na imprensa sobre o discurso apontam a quantidade de equívocos (sou gentil) e ufanismo exagerado (talvez um pleonasmo). Me veio o sentimento de que atualmente este estilo está se tornando comum na comunicação. Fala-se qualquer coisa. Defende-se qualquer ponto de vista. Qualquer tese, por mais estapafúrdia que seja. Ficou evidente que as pessoas acreditam em qualquer coisa, mais ainda, se for uma realidade conveniente, mesmo que mentirosa. Isso tem nome bonito: viés de confirmação. O mecanismo de manipulação em massa funciona assim: você mente hoje, fatura com a mentira, amanhã fica claro que era falso. Você candidamente esquece que falou. Desconversa. Parte para outra mentira. 

O livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é de 1932! Vejam só suas avaliações de um governo autoritário no futuro:

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Isaac Asimov antecipou o problema da dependência em IA

Em 1957, quando computadores ainda eram dinossauros cheios de válvulas, ocupando salas inteiras, o escritor de ficção científica Isaac Asimov escreveu um conto simplesmente premonitório: “Sensação de Poder”. A história passada no futuro descreve quando um técnico descobre (redescobre?) como fazer as contas com lápis e papel. Ele vai fazer uma apresentação de sua descoberta para seus superiores. Ninguém mais sabia que três vezes sete dava vinte e um. Sim, porque no futuro as pessoas teriam sempre à mão um computador pequeno onde poderiam fazer as contas. Haviam esquecido como fazer as operações matemáticas mais simples. As pessoas seriam totalmente dependentes de pequenos computadores que mostravam os resultados de qualquer conta que quisessem fazer. Já sacou onde quero chegar? Muita gente hoje acredita que a IA vai ser tão comum e onipresente como a eletricidade. Ninguém precisará resolver um problema, decidir a melhor opção a seguir. Qualquer pessoa poderá pedir à IA para dizer como fazer ou, mesmo, fazer por ela. 

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Epstein tinha que morrer

Se é que estou entendendo alguma coisa…

Não podia ficar vivo. Era poderoso demais. Sabia demais. Errou na mão. Observou e gravou o lado dark dos poderosos. Se alguém tangenciasse sua pessoa, já estaria em risco de se sujar com sua pedofilia. Sua figura fica cada vez mais complexa. A pedofilia era apenas uma faceta de suas práticas e de suas ferramentas de ganhar e exercer o poder. Epstein era um hub de poder mundial. Um agente por quem passavam solicitações, investimentos… Com ele eram transacionados interesses de alto nível no cenário mundial. A direita de Steve Bannon conversava com Epstein. Só para falar de assuntos que nos tocam: Como atuar na América Latina? Como contatar a família Bolsonaro? O movimento para administrar a implantação de governos de direita planeta afora, era conversado com o cara. Não sabemos se ele era apenas um psicopata que identificava maneiras de perpetrar seus vícios ou era um gênio do mal que soube manipular o lado ruim da humanidade. Tinha que morrer. Grande chance de ter sido suicidado.

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Bitcoin é golpe das correntes aperfeiçoado

As correntes são um formato de golpe que não para de ser praticado. O formato clássico é obter dinheiro antecipado prometendo lucros (normalmente bem acima do que o mercado oferece) no futuro. A ganância dos humanos sempre supera a racionalidade e as pessoas entram nesses esquemas todo o tempo. Os espertos mascaram o golpe com modelos de investimentos para atrair os incautos (por exemplo: criptomoedas), ou a produção de bens que trarão rendimentos magníficos (lembram do Boi Gordo?).

O modelo do golpe das correntes se superou. As criptomoedas trouxeram o suporte necessário para o golpe torna-se universal, com boa infraestrutura de implantação e apresentando fachada financeira que lhe dá confiabilidade. O golpe movimenta hoje cerca de 2 trilhões de dólares. A proposta é simples: a criptomoeda se apresenta como uma… moeda alternativa, longe das regulamentações tanto odiadas pelos especuladores. Não é moeda. A Bitcoin é uma ação entre “amigos” em que cada um que aposta na sua compra espera que outros venham a comprar depois. Aqueles que chegam depois querem comprar aquele bem que viram subir de valor acreditando que ele vai subir mais. E pagam mais pela criptomoeda e o preço sobe. Com altos e baixos, o povo continua entrando na roda. Um corretor sensato me disse olímpico: “Talvez valha a pena investir. Ainda tem muito otário para comprar Bitcoin até ela chegar a valer um milhão de dólares.” Hoje está em torno de US$100 mil dólares.

Enfim o mundo se dobrou ao mecanismos das correntes. Todos acreditam que uma criação financeira sem suporte de nenhuma instituição ou governo pode valer alguma coisa. Acreditar demais é dos maiores defeitos de nossa espécie. Os traficantes e corruptos agradecem aos colaboradores que mantém local onde podem esconder e negociar seus ganhos ilícitos.

O governo Trump é entusiasta das criptomoedas. Talvez correspondendo aos bilhões que as empresas das criptos colocaram em sua campanha. O presidente da Argentina se complicou endossando uma cripto que deu ruim e gerou prejuízo para muitos. O mercado financeiro viram o rosto para o outro lado, se pagarmos as comissões, podemos investir formalmente em criptos. Estamos largados a própria sorte. Só nos resta avaliar se ainda dá para entrar no esquema ou ele está próximo de estourar. Difícil decidir.

Enfim o segredo de ficar rico está disponível para todos: saiu o livro A Receita – como enganar muitos e sorrir

Há mais de dez anos, Ernesto Friedman escreveu ensaio aqui em Polemikos onde mostrava em linhas gerais o modelo de ganhos financeiros que vem há décadas encantando e extraindo dinheiro de milhares de ingênuos. Alguns espertos dominam as técnicas que Friedman resolveu compartilhar com toda a humanidade. Seu novo livro A Receita – como enganar muitos e sorrir está na Amazon. Vale a pena se aprofundar nas regras para extrair dinheiro dos outros. Se você não pretende se aproveitar dos outros, A Receita serve como um guia para se proteger dos esquemas que os praticantes dA Receita aplicam todo o tempo. Afinal, o modelo dos esquemas dA REceita é radical: ou você conhece e, se quiser, aplica nos outros, ou você será a vítima. Você decide.

Melhor comprar parcelado ou à vista com desconto?

O cidadão comum não entendem nada de matemática financeira. Juros são uma abstração complicada que o povão trata da maneira mais simples: paga o que lhe pedem! O povo vive cercado de ofertas que utilizam expressões como “juro zero” ou “tantas vezes sem juros”. As empresas que usam essa conversa estão no limiar da mentira deslavada. Na verdade, já passaram desse limiar faz tempo. Dizer que pagar um preço cheio à vista é igual a pagar o mesmo preço em certo número de parcelas é mentira pura e simples. É boa maneira de treinar o cidadão para ser ludibriado.

O aplicativo Melhor à Vista? ajuda as pessoas a escolherem certo entre comprar em prestações e pagar à vista. O app calcula o valor do desconto a partir do qual é melhor fazer a compra à vista. Com ele, o consumidor pode facilmente fazer as contas que precisa para não passar por otário. Para mais detalhes, veja o site do aplicativo Melhor à Vista

Qual seu perfil de uso da Internet?

Qual é o sistema operacional do seu celular? Qual e-mail você usa? Em que nuvem guarda seus dados? Onde ficam suas fotos?

Hoje, rola uma briga radical (briga de foice no escuro) entre os grandes fornecedores de soluções para o mundo digital. A lista de serviços que podemos destacar é grande. Quase podemos viver na internet fazendo de tudo atrelados a um grande fornecedor. Podemos usar somente Microsoft, Google ou Apple. Ou ficar dentro do meio-ambiente do Facebook. A questão é saber se você é um Google-boy (ou Google-girl), ou se é um amante insistente na Microsoft, ou se é um adorador fashion da Apple.

Vejamos quais escolhas pode-se fazer e quais aquelas que eu fiz. Continue lendo “Qual seu perfil de uso da Internet?”

a busca do Google amplia nossa visão do mundo ou a torna mais estreita?

A pergunta parece idiota. Com a internet podemos acessar uma quantidade e diversidade absurdamente grande de informação. É fato. Mas alguns pensadores estão perguntando se é tão simples assim.

Veja bem. Os mecanismos de busca são nossos portões para navegar na internet. Esses mecanismos – leia-se googles da vida – têm o objetivo de ser o mais eficientes possível. Eles procuram adaptar suas pesquisas para responder adequadamente ao que você está procurando. Esta adaptação das buscas ao perfil do usuário faz com que pessoas diferentes colocando as mesmas palavras numa busca do Google obtenham respostas diferentes. Curioso né? A busca vai aprendendo com nossos hábitos e preferências e vai restringindo os resultados àquilo que cada um de nós espera encontrar. Essa adaptação da procura pode ser (e parece que é) usada para fins comerciais. Mas não entremos nessa seara agora. Consideremos que os resultados estejam sendo usados apenas para o bem. O raciocínio elegante que os estudiosos da internet estão trazendo se refere à redução do espaço das buscas que está “otimização” dos googles provoca. Conforme os mecanismos de busca vão se adaptando a nossos desejos, cria-se um universo delimitado para nossa vivência na rede. Ficamos limitados ao quintal que nós mesmos ensinamos ao mecanismo como restringir. Quanto mais reforçamos os muros do que queremos achar, mais fechada fica nossa vida na internet. Ideia interessante né?

Como Yahoo não comprou Facebook

In the Valley, Yahoo is infamous for the string of deals it didn’t do. The worst one: Facebook. In the summer of 2006, Yahoo had a handshake deal to buy it for $1 billion. Semel decided to offer $850 million instead, according to a former executive, and Mark Zuckerberg, who hadn’t really wanted to sell, took that as his opportunity to walk away.

(Vanity Fair)

Snowden mostrou que o rei está nú

A grande ameaça que vazadores de informações como Manning e Snowden mostraram é mais sutil que um assalto direto à segurança nacional dos EUA: eles minam a habilidade de Washington de agir hipocritamente e sair impune.

The deeper threat that leakers such as Manning and Snowden pose is more subtle than a direct assault on U.S. national security: they undermine Washington’s ability to act hypocritically and get away with it. (foreignaffairs.com)