Turnover no funcionarismo público

Tem que mandar gente embora todo ano.

Turnover é o movimento de entra e sai de empregados numa empresa. Se sai muita gente, pode ser problema de gestão da empresa que não consegue segurar talentos. Se não tem rotatividade, é sinal que a empresa não se renova, tende à estagnação, à acomodação de seus funcionários e perda de produtividade. Pois bem, Jorge Lehman (o guru!) prega um modelo de meritocracia em que, todo ano, são demitidos 10% da força de trabalho. Vão embora aqueles que têm as piores avaliações ou indicadores de rendimento. Para repor quem saiu, busca-se contratar no mercado pessoal rigorosamente selecionado. É um modelo de melhoria contínua da qualidade dos colaboradores da empresa. Em princípio, a produtividade da empresa deve melhorar. A pressão por bons resultados tem impacto positivo na produtividade da empresa, mas se conduzida em com excessos pode acarretar tensão nos recursos humanos podendo gerar resultados contrários aos desejados, com queda na produtividade. A dosagem da aplicação desse modelo é a grande arte do gestor de pessoal nas empresas.

Quando eu trabalhava numa empresa de economia mista, com controle do governo, a gente observava clara acomodação de empregados buscando minimizar o trabalho, maximizando o valor do pequeno esforço dispendido, já que o salário chegava garantido no fim do mês e a probabilidade de perder o emprego era baixíssima. O efeito negativo na produtividade era significativo. Certa vez, um colega comentou o óbvio (depois que alguém fala, é fácil ver o óbvio). Se ficasse definido que uma fração mínima, por exemplo 2% da força de trabalho, seria demitida todo ano e substituída com a seleção e contratação de pessoal novo, ia crescer a vontade de trabalhar da equipe como um todo. Notem bem: só 2%. Observem também que os recursos seriam substituídos. O número de desempregados não aumentaria.

Essa conversa não é bem recebida pelo pessoal dos sindicatos. Não gostam muito de falar em meritocracia. Devem ter receio do que os patrões podem fazer com essas regras. Até compreendo. Temos que convir que a postura de defender o emprego no lugar do trabalho é bem populista e dá resultados. Mas a folha de pagamento do funcionalismo vai aumentando e a produtividade nem tanto. Com esse papo ganharei o selo de “extrema direita”. Mas insisto. Seria interessante o funcionalismo ter um modelo de renovação de sua equipe. É feio ver funcionários que as vezes não se dão ao trabalho de “comparecer à repartição”, tratando o salário como direito adquirido, independentemente do que ele produz como trabalhador. O lema é: “Fiz concurso, nada pode me tirar daqui.” Enquanto isso, os simples mortais, que trabalham nas empresas particulares, vivem ao sabor das variações do mercado, sofrendo reduções de pessoal, adequação da força e outras mudanças do mundo real. Olha que aquela taxa de renovação de 2% seria uma mudança justa.

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