E as bancas de jornal continuam a proliferar

Escrevi sobre isso faz tempo. Nossa cidade (diga-se Rio de Janeiro) não tem gestão do espaço urbano. O que tem é para inglês ver. Colocam-se anúncios em qualquer parede disponível. Se não tem parede, crava-se um painel. Se ele só atrapalha o visual durante o dia, transforma-se em painel luminoso distribuindo a sujeira de noite pois a propaganda 24 horas dá para vender mais caro.

Não há sutileza. É uma cidade emplacada. Tem placa pra todo lado. Para venderem postes, que são mais caros que placas, plantam postes no meio dos quarteirões com placas informando qual é a rua da próxima esquina. As placas dizem que aquela é a direção da praia ou qualquer outra informação desnecessária. Isso numa época em que todos têm celulares e todas as informações para deslocamentos é oferecida com eficiência e de graça pelos Wazes da vida. Esse gasto é feito por governos que falham em entregar gaze nos hospitais.

E as bancas de jornal? Nem podemos mais chamar assim, são simples pontos de venda, pois quase não se vendem mais jornais em papel? Estas viraram a desculpa para distribuir painéis luminosos grandes (têm cerca de 5m2 cada um). Já disse em outro artigo que podiam pelo menos colocar somente o painel, não precisava ocupar espaço das calçadas com as inúteis bancas, quer dizer as pequenas lojas de vender água, balas ou qualquer coisa que justifique sua operação… O que interessa mesmo é colocar a banca e vender o painel de propaganda que pode render R$10mil por mês. É bom negócio para quem vende. Para a cidade, que se enfeia, não é. Só nos resta praticar o pretérito imperfeito: esta cidade podia ser maravilhosa!

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