Todos os posts de Ernesto Friedman

Distribuir renda alterando alíquotas de imposto de renda

Tempos de eleições exacerbam a criatividade dos candidatos. Uma das propostas que surgiram nas campanhas de 2018 foi a isenção do imposto de renda para pessoas com renda mensal até R$5.000,00. A ideia é populista e visa diretamente ganhar votos do pessoal de menor renda. É populista pois uma isenção de pagamento de impostos reduz a arrecadação, que já é um problema fiscal do governo brasileiro. E como seria coberta a redução dos impostos? Pergunta tão óbvia não foi respondida. A origem da quantia para repor a renúncia fiscal apresentada não fez parte do discurso dos candidatos.

Curiosamente, a proposta tem seu valor. Ela poderia constituir instrumento eficaz de distribuição de renda. Consideremos manter a arrecadação no nível atual. Restringindo a discussão ao imposto sobre pessoa física, não há dúvida que para manter a arrecadação, a isenção de pagamento de imposto por rendas mais baixas deve ser contrabalançada pelo aumento da alíquota do imposto das pessoas com rendas mais altas. Assim, para isentar rendas menores, a alíquota mais alta hoje, 27,5%, deveria ser aumentada. Para quanto? A Receita Federal dispõe de uma aplicação onde podem ser simulados valores das alíquotas, que são aplicadas sobre base de dados da Receita, permitindo verificar o reflexo dessas alterações sobre o total da arrecadação. A aplicação da Receita poderia identificar com precisão o valor exato da alíquota mais alta do imposto de renda para deixar o total da arrecadação imutável.

Esta proposta tem um subproduto muito interessante. A renda aumentada pela isenção de impostos impacta diretamente no aumento da demanda. Os cidadãos de menor renda tendem a ter muito mais demanda reprimida que os mais ricos. E é um tipo de demanda voltada para ampla cadeia de produtos e serviços básicos. Ou seja, grande parte do aumento de renda vai para o consumo, que move a economia e … gera mais impostos para o governo. Assim, o resultado dessa mudança seria bom para o consumidor e bom para o governo arrecadador. Um jogo de ganha-ganha!

Do lado dos mais ricos há perda, claro, afinal a renda está sendo redistribuída. Mas seu padrão de consumo é menos impactado. Os mais ricos são aqueles com mais capacidade de poupar e, efetivamente, é isso que fazem. Assim, em grande escala, a proposta de mudar alíquotas faz com que parte do dinheiro que ia para o mercado financeiro buscar rentabilidade seja redirecionado ao consumo e estimule a economia do país. Não é ruim.

Vale repetir que essa proposta não aumenta o nível de arrecadação de impostos. O modelo de arrecadação é que é alterado. Os mais ricos passam a pagar mais que os mais pobres. Talvez aí esteja o grande empecilho a sua implantação. Tirando os rompantes dos discursos de campanha, o dia a dia do país é ditado pelos mais abastados, que são mais influentes. Os mais ricos não costumam aceitar o altruísmo de uma distribuição de renda. Ou seja, ficamos nas hipóteses. Implantar algo assim, nem pensar!

Qual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?

Não esquecer os dias dos aniversários dos amigos é regra de etiqueta a ser seguida. Uma pessoa com rede de relacionamentos de algum porte deve lembrar de cumprimentar seus amigos aniversariantes do dia. Preocupado em não deixar furos, venho preenchendo a informação dos dias dos aniversários dos meus contatos. Sou bastante liberal. Acrescento filhos de amigos, conhecidos, qualquer um que decline sua data de aniversário e tenha um mínimo potencial de ser importante na minha vida. As vezes dou entrada na lista de contatos apenas com nome e data de aniversário. Todo dia, meu calendário informa os aniversariantes da data. Transformei tudo num jogo (o importante é gamificar os processos, não é?) cujo objetivo é eu ter o máximo número de dias do ano com conhecidos fazendo aniversário nessas datas. Continue lendo Qual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?

Carros automáticos chegando

A mudança vem por aí. Os carros automáticos serão mais seguros que aqueles dirigidos por humanos. Os algoritmos e sensores dos veículos vão superar em muito os desatentos e intrépidos motoristas. Eu venho comentando que meus netos talvez nem tirem carteira de habilitação, pelo simples motivo que não terão muitas oportunidades para dirigir. Não valerá a pena enfrentar a infernal burocracia do Detran para conduzir esporadicamente um veículo. Minha previsão foi corroborada em artigo recente sobre o assunto:

“Tenho certeza que antes de 2030, se você tiver menos que 25 ou mais que 70 anos de idade, precisará de uma permissão especial para dirigir um carro. Também estou convencido de que não será permitido dirigir um carro da maneira clássica em certas ruas ou autopistas porque você colocará em risco as caravanas de carros autônomos trafegando nestas vias.”

Curioso esse admirável mundo novo que se aproxima. Entretanto, há uma oportunidade para o Brasil. Poderemos criar um parque para os civilizados no norte virem brincar. Eles poderiam dirigir carros no modelo antigo, passar marchas, fazer vagas… um sonho.

Vamos a ver.

Eu quero Uber! #DireitodeIreVir

…e Cabify, 99 etc. Quero poder escolher como me transportar. Quero o fim da reserva de mercado para os táxis. A viagem de Uber (no modelo UberX) custa a metade do preço cheio de uma corrida de táxi. Quero pagar o menor preço. Não quero dar esta contribuição para os taxistas. O negócio “trasporte” ficou ruim para se trabalhar. O transporte privado com motorista ficou mais barato. A remuneração de quem trabalha nesta área caiu. E assim segue a economia.

Fora com os deputados que estão querendo aprovar lei impedindo os modelos de transporte privado. Fora com Rodrigo Maia que está encaminhando esta pauta hoje na Câmara Federal.

Oi: exemplo de marketing negativo

De repente percebi que não precisava mais do telefone fixo. A grande utilidade do fixo era informar o número à farmácia ou à pizzaria para confirmar o endereço de entrega em domicílio. Troquei para o número do celular e não reclamaram. O telefone fixo ficava tocando de vez em quando para fazer propaganda. Não tinha utilidade. Eu não aguentava mais uma gravação da voz do Silvio Santos vendendo alguma coisa. Uma tortura. A Oi também enchia o saco tentando vender novos planos.

Liguei tentando um plano mais barato que os R$45 que pagava. Não toparam. Cancelei o telefone. Continue lendo Oi: exemplo de marketing negativo

… e o povo não foi pra rua. 

As passeatas nesse domingo tiveram baixa adesão. Vamos penar por isso. Deputados e senadores estão em polvorosa, buscando maneiras de escapar da Lista do Janot. Ficarão mais ousados. Tentarão emplacar a reforma política, diga-se implantar a lista fechada, que garantirá aos facínoras um lugar compulsório na cédula eleitoral. Aí, eleitos, eles ganham foro privilegiado e seus julgamentos vão pras calendas. 

Estamos brincando com fogo. Continue lendo … e o povo não foi pra rua.