Claudio Urubu

Morreu Cláudio Urubu. Quem sabe sabe. Seu nome era Cláudio Azeredo. Muitas notas na relatam sua saída de cena. Eu alimentava a esperança de ir a Miguel Pereira para jogar conversa fora com o amigo de juventude. A ideia foi adiada tantas vezes. Não fui. Não vai rolar.

Cláudio era uma figura. Os relatos destacam suas composições em parceria com Raul Seixas. Foram cerca de trinta músicas. Adoro “cowboy fora da lei”, mas Cláudio foi mais que isso. Talvez tenha sido a justa definição do maluco beleza ou um verdadeiro porra louca.

Cláudio tinha característica marcante. Entrava de cabeça no que fazia. Não veio de brincadeira. Fez escola de educação física. Era quase um atleta. Faixa verde de karatê, era bom professor. Deu aula pra mim e outros da Turma do 80. Dominava os katas. Os executava com perfeição. Tinha um pastor alemão super treinado. Por quem? Por ele. Bonito de ver quando o cão encostava no dono para atravessar a rua. Íamos no Jardim de Alah para Alfie (seria esse o nome?) correr e gastar as unhas. 

Cláudio pintava miniaturas e tecidos. A garrucha de plástico pintada por ele parecia de verdade e fazia bom papel numa decoração de parede. Não era bom em esportes com bolas. Gostava muito do vôlei, mas não teve o amor correspondido. Era bom para movimentos bruscos. Lhe faltava a leveza para controlar a bola. Tinha competência no xadrez. Quantas vezes não montamos uma mesa de areia na praia do Leblon para jogar num tabuleiro improvisado. Tinha voz poderosa. Era um show de anarquia ele entoar trechos do Barbeiro de Sevilha na madrugada da Afrânio. Bom parceiro na sinuca da praça General Ozório. Não tínhamos dinheiro. A sinuca era diversão certa e barata. Algumas idas ao banheiro para cheirar algum estímulo lhe davam confiança no taco, mas pioravam seu jogo. A sinuca era seguida do protocolar caldo de cana vendido na esquina da Pirajá com Jangadeiros. Era o que bastava. A grana ou a falta dela geravam boas oportunidades para inventar o que fazer. Uma caminhada conversando do Leblon ao fim da Ipanema funcionava como programa da noite.

Era um bom companheiro.  Que não se esperasse dele comedimento. Liderava a ousadia nas aventuras na Zona Sul. Era um anarquista. De carro, aprontávamos nas madrugadas. Era criativo. Por que não roubar gasolina dos tanques dos carros estacionados se bastava introduzir um tubo no tanque e sugar o combustível para uma garrafa plástica? Mexer com as meninas nos pontos de ônibus? Outras maluquices beleza menos confessáveis foram perpetradas. Um quibe com coca-cola no fim de noite num boteco da Prado Junior ou um pedaço de pizza na Guanabara forravam o estômago antes de ir dormir. 

As drogas rolavam. Num verão, a maconha sumiu do mercado, substituída pelo pó, oferecido a preço de ocasião. Eu estava em sua casa quando o pessoal experimentou a primeira carreira. Depois desse verão, as experiências esporádicas com Mandrix e ácido deram lugar ao mercado robusto da branquinha. Cláudio foi fundo nesse formato.

Nossos contatos foram minguando. Eu era o CDF fazendo engenharia da PUC e ele investia forte na criação musical. Cláudio competia com Paulo Coelho na posição de parceiro do Raul.

Cláudio se exilou em Miguel Pereira. Uma vez nos encontramos e me mostrou que lhe faltava um dos dentes da frente. A explicação: uma égua arredia lhe retirara o dente com um coice. Nada de excepcional. Notícias cada dia mais esparsas davam conta que estava criando galos de briga. Como era de seu feitio, acredito que seus animais eram os melhores treinados.

Depois disso, só o contato mais recentes com vídeos de YouTube tratando do roqueiro beleza recluso em Miguel Pereira. E veio a surpresa previsível.  Um problema no coração, uma cirurgia, dificuldades posteriores e Cláudio se foi. Que merda, não fiz a planejada viagem a Miguel Pereira.

Distribuir renda alterando alíquotas de imposto de renda

Tempos de eleições exacerbam a criatividade dos candidatos. Uma das propostas que surgiram nas campanhas de 2018 foi a isenção do imposto de renda para pessoas com renda mensal até R$5.000,00. A ideia é populista e visa diretamente ganhar votos do pessoal de menor renda. É populista pois uma isenção de pagamento de impostos reduz a arrecadação, que já é um problema fiscal do governo brasileiro. E como seria coberta a redução dos impostos? Pergunta tão óbvia não foi respondida. A origem da quantia para repor a renúncia fiscal apresentada não fez parte do discurso dos candidatos. Continue lendo “Distribuir renda alterando alíquotas de imposto de renda”

Qual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?

Não esquecer os dias dos aniversários dos amigos é regra de etiqueta a ser seguida. Uma pessoa com rede de relacionamentos de algum porte deve lembrar de cumprimentar seus amigos aniversariantes do dia. Preocupado em não deixar furos, venho preenchendo a informação dos dias dos aniversários dos meus contatos. Sou bastante liberal. Acrescento filhos de amigos, conhecidos, qualquer um que decline sua data de aniversário e tenha um mínimo potencial de ser importante na minha vida. As vezes dou entrada na lista de contatos apenas com nome e data de aniversário. Todo dia, meu calendário informa os aniversariantes da data. Transformei tudo num jogo (o importante é gamificar os processos, não é?) cujo objetivo é eu ter o máximo número de dias do ano com conhecidos fazendo aniversário nessas datas. Continue lendo “Qual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?”

Oi: exemplo de marketing negativo

De repente percebi que não precisava mais do telefone fixo. A grande utilidade do fixo era informar o número à farmácia ou à pizzaria para confirmar o endereço de entrega em domicílio. Troquei para o número do celular e não reclamaram. O telefone fixo ficava tocando de vez em quando para fazer propaganda. Não tinha utilidade. Eu não aguentava mais uma gravação da voz do Silvio Santos vendendo alguma coisa. Uma tortura. A Oi também enchia o saco tentando vender novos planos.

Liguei tentando um plano mais barato que os R$45 que pagava. Não toparam. Cancelei o telefone. Continue lendo “Oi: exemplo de marketing negativo”

Homem do Ano Polemikos 2016

De vez em quando, lembramos de premiar um homem que se destaca, em geral, se debandando para o lado negro da Força. Sabem quem ganhou em 2013: Renan Calheiros. Sensacional! O ato síntese do seu prontuário naquele ano foi usar avião da FAB pra ir fazer implante de cabelo.

Mas eis que estamos encerrando 2016, um ano prenhe de mau-caratismo. Foi pródigo na canalhice. Tivemos o espetacular Eduardo Cunha, que brilhou o ano todo, mas cuja estrela se apagou quando foi fazer seu retiro enjaulado em Curitiba. Teve Lindinho se batendo pra salvar Dilma. Lula tentou aparecer dizendo que a Lava-jato tirou muitos empregos. O ministro Dias Toffoli fez um pedido de vistas que quase o levou para o pódio. A lista é grande. Mas Renan é muito competitivo. Não podia deixar barato. No final do ano, passou a perna nos concorrentes. Driblou até o pessoal do STF que vinha correndo por fora. Continue lendo “Homem do Ano Polemikos 2016”

Trumpism…

The Los Angeles Times’s, Vincent Bevins wrote that “both Brexit and Trumpism are the very, very wrong answers to legitimate questions that urban elites have refused to ask for 30 years.” Bevins went on: “Since the 1980s the elites in rich countries have overplayed their hand, taking all the gains for themselves and just covering their ears when anyone else talks, and now they are watching in horror as voters revolt.”