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a rapariga do presidente

Não uso o substantivo “rapariga” com frequência. Como muito acontece, foi mestre Ubaldo que resgatou a palavra em sua crônica desse domingo. O assunto tratado por ele de maneira sarcástica ou benevolente é mais ou menos se o político pode ou deve ter casos extraconjugais. Bem definida, a questão se mostra irrelevante. O que nos salta aos olhos e agride o bolso é se a namorada do dignitário usa sua proximidade (e bota proximidade nisso) para lotear cargos e liberar pareceres, resumindo, usa a condição de concubina para tirar uma grana por fora. E aí vem a grande questão: o quanto sabia o altíssimo governante e não tomou providências? Será que o entendimento era de que os malfeitos praticados pelos geneticamente bem intencionados membros do PT não podem ser criticados nem vir a público?

entendi por que Niemeyer é nosso único arquiteto

20121111-111311.jpgJá escrevemos aqui sobre isso. É impressionante como só fazemos obras do arquiteto Oscar Niemeyer. Sem tirar o mérito de sua comprovada genialidade, convenhamos que com seus 104 anos de idade, deve haver algum brasileiro criativo o suficiente para ter alguma notoriedade na arquitetura. Mas, matéria da Revista O Globo desse domingo matou a charada. Ela tratava de novo hotel em Niterói projetado pelo Arquiteto (notem, pela maiúscula, que gosto do cara). Copio o texto da reportagem:

“Um ponto que divide opiniões é o fato de as Torres (do hotel) terem 26 pavimentos, cada uma: dez a mais que o gabarito permitido na região. A exceção à regra se dá graças à lei municipal que oferece total liberdade às obras assinadas por Oscar Niemeyer na área.”

Agora ficou tudo claro. Contratando Niemeyer, a construtora ganha dez andares a mais em seu prédio. Assim, eu também usava o Oscar.

Continua valendo a regra clássica de uma investigação: “se o mistério se complicar, vá atrás do dinheiro”.

Razão Filosófica e Religião

Da série recorte de jornal, tirado de entrevista do filósofo Michel Onfray, em O Globo:

Como o senhor avalia o embate entre a razão filosófica e a religião no mundo contemporâneo?

A razão é sempre minoritária, e a religião sempre majoritária, pois a inteligência é mais rara que a obediência. As pessoas preferem uma ficção que lhes dê segurança, uma lenda que lhes apazigue, histórias para crianças que lhes permitam dormir tranquilos, em vez de verdades que inquietam, certezas que angustiam. É por isso que religião jamais desaparecerá do planeta, e porque os filósofos dignos desse nome serão sempre minoritários.

Irretocável.