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Distribuir renda alterando alíquotas de imposto de renda

Tempos de eleições exacerbam a criatividade dos candidatos. Uma das propostas que surgiram nas campanhas de 2018 foi a isenção do imposto de renda para pessoas com renda mensal até R$5.000,00. A ideia é populista e visa diretamente ganhar votos do pessoal de menor renda. É populista pois uma isenção de pagamento de impostos reduz a arrecadação, que já é um problema fiscal do governo brasileiro. E como seria coberta a redução dos impostos? Pergunta tão óbvia não foi respondida. A origem da quantia para repor a renúncia fiscal apresentada não fez parte do discurso dos candidatos.

Curiosamente, a proposta tem seu valor. Ela poderia constituir instrumento eficaz de distribuição de renda. Consideremos manter a arrecadação no nível atual. Restringindo a discussão ao imposto sobre pessoa física, não há dúvida que para manter a arrecadação, a isenção de pagamento de imposto por rendas mais baixas deve ser contrabalançada pelo aumento da alíquota do imposto das pessoas com rendas mais altas. Assim, para isentar rendas menores, a alíquota mais alta hoje, 27,5%, deveria ser aumentada. Para quanto? A Receita Federal dispõe de uma aplicação onde podem ser simulados valores das alíquotas, que são aplicadas sobre base de dados da Receita, permitindo verificar o reflexo dessas alterações sobre o total da arrecadação. A aplicação da Receita poderia identificar com precisão o valor exato da alíquota mais alta do imposto de renda para deixar o total da arrecadação imutável.

Esta proposta tem um subproduto muito interessante. A renda aumentada pela isenção de impostos impacta diretamente no aumento da demanda. Os cidadãos de menor renda tendem a ter muito mais demanda reprimida que os mais ricos. E é um tipo de demanda voltada para ampla cadeia de produtos e serviços básicos. Ou seja, grande parte do aumento de renda vai para o consumo, que move a economia e … gera mais impostos para o governo. Assim, o resultado dessa mudança seria bom para o consumidor e bom para o governo arrecadador. Um jogo de ganha-ganha!

Do lado dos mais ricos há perda, claro, afinal a renda está sendo redistribuída. Mas seu padrão de consumo é menos impactado. Os mais ricos são aqueles com mais capacidade de poupar e, efetivamente, é isso que fazem. Assim, em grande escala, a proposta de mudar alíquotas faz com que parte do dinheiro que ia para o mercado financeiro buscar rentabilidade seja redirecionado ao consumo e estimule a economia do país. Não é ruim.

Vale repetir que essa proposta não aumenta o nível de arrecadação de impostos. O modelo de arrecadação é que é alterado. Os mais ricos passam a pagar mais que os mais pobres. Talvez aí esteja o grande empecilho a sua implantação. Tirando os rompantes dos discursos de campanha, o dia a dia do país é ditado pelos mais abastados, que são mais influentes. Os mais ricos não costumam aceitar o altruísmo de uma distribuição de renda. Ou seja, ficamos nas hipóteses. Implantar algo assim, nem pensar!

Operação Carne Fraca: justiça ou publicidade?

Há muito que sei que o controle da carne no Brasil é uma zona. (Vale dizer que não sei no momento qual instituição brasileira não é uma zona.) A bola da vez é a produção de carne no país. Uma operação da Polícia Federal desbaratou esquemas de uso de comida estragada, gado e frango doentes e outras práticas repugnantes da produção de carne e embutidos. Até que enfim.

Das histórias que ouvia da indústria, eu gostava daquela que falava da produção das salchichas. Uma pessoa da área contava que a máquina processa tudo em alta temperatura, transforma tudo na pasta da salchicha. Dá pra usar qualquer insumo. Pode ser papelão ou gado doente. O resultado final é o mesmo: salchicha. Continue lendo Operação Carne Fraca: justiça ou publicidade?

IPTU 2016 Rio de Janeiro, melhor pagar à vista ou parcelado?

Resposta: depende! O desconto de 7% oferecido pela prefeitura para o pagamento à vista, corresponde a atualizar o fluxo de pagamentos parcelados a uma taxa de juros de 1,65% ao mês. Assim, se você tem dinheiro investido numa caderneta de poupança, que rende minguados 0,5 % por mês ou num fundo de investimentos que proporcione rentabilidade de 0,7% ao mês, vale a pena sacar e pagar a cota única. Você estará trocando uma rentabilidade de 0,5 ou 0,7 % por uma bem mais alta, de 1,65% ao mês.

Se você está pegando empréstimo ou (deus o livre) está usando o cheque especial, vale a pena pagar parcelado. Guarde seu dinheiro para quitar suas dívidas de juros altos. É o caso de quem tem uma empresa e está pegando empréstimo a juros superiores a 1,65% ao mês, por exemplo, 2% ao mês, que é valor comum no mercado hoje. Nesse caso, o melhor é pagar o IPTU dividido nas dez parcelas oferecidas pela prefeitura.

As sugestões acima não consideram o custo operacional de pagar em parcelas, que corresponde a programar todos os pagamentos ou lembrar todo mês de pagar o IPTU. Se você esquece uma, aparecem custos e a opção já fica mais cara. Se você tem grana, a melhor opção é não fazer muita conta e pagar tudo de uma vez.

De todo modo, seja otimista, se você é um feliz proprietário de casa própria, relaxe e veja pelo lado bom. Tenha certeza de que a prefeitura usará seu dinheiro da melhor forma. Rsrs

Observação: Alguns sites e comentaristas de economia erram no cálculo dos juros que devem ser usados para tomar a decisão sobre pagar o IPTU à vista ou parcelado. Esquecem que a primeira parcela coincide com o pagamento à vista. Quando cometem esse erro, o valor dos juros a serem comparados passa para 1,35%. Não muda as decisões recomendadas. Mas surpreende o pessoal errar em cálculo financeiro tão primário.

Preços dos imóveis caem 10% ao ano

fonte: O Globo

O jornal O Globo de hoje (24.01.2016) publica sua estatística semanal da evolução do preço dos imóveis no Rio de Janeiro. Os gráficos, representando os valores médios dos preços nos últimos seis meses, mostram estabilidade. Exemplo: os preços dos três quartos em Ipanema seguem firme na casa dos R$2,8 milhões. Aparentemente, o mercado está andando de lado. Mas, precisamos lembrar que temos a inflação da Dilma, na faixa dos 10%. Assim, os preços estabilizarem significa, na realidade, que estão despencando 10% ao ano. Continue lendo Preços dos imóveis caem 10% ao ano

Alguém pode ajudar a presidente Dilma?

Ajudem esta senhora. Informem a ela que o processo de impeachment não se deve a ela ter contas no exterior. Esse problema é do ex-aliado Eduardo Cunha. O crime que ela cometeu foi gastar o dinheiro que o governo não tinha para enganar a população, como se as contas e a economia estivessem as mil maravilhas. Por que ela teima em falar do problema de Cunha? Uma hipótese é que continue praticando a enganação do povo. Os menos atentos podem confundir que as acusações são sobre sua honestidade, sobre ela ter roubado pra si. Não são. Se ela roubou, eu não sei. Quase toda a cúpula do Partido dos Trabalhadores já foi acusada, julgada e estão cumprindo pena por ações que genericamente configuram “roubar”. A polícia está chegando na família do ex-presidente Lula. Por enquanto, sobre ela não apareceu nada. Só está comprovado que é uma gerente incompetente. Sua grosseria no trato pessoal não se repetiu no cuidado forte com a coisa pública. Deixou roubarem na Petrobras como uma mocinha ingênua. Foi incompetência ou conivência. Escolham. 

Enfim. Fatos do momento. Até agora Dilma não foi identificada como beneficiária de dinheiro de propina enviado para o exterior. Parece que o dinheiro que o PT roubou não ficou em seu nome. Mas informem a confusa (que talvez prefira confundir a todos) presidente que ela está sendo acusada de fazer despesas excessivas para garantir sua reeleição. Isso é crime. E os indícios são fortes de que a atribulada senhora, no afã de ganhar eleição, gastou o que os brasileiros não tinham. 

O inferno de Petrobras e Vale 

A empresa tem dívida 500 milhões de reais. Com o petróleo abaixo de US$50, o faturamento está muito baixo. É preciso aumentar a gasolina de novo, mas o impacto sobre a inflação apavora o governo. É a Lava-Jato não dá trégua, cada dia apodrece mais a história da empresa. Virou uma empresinha comdificuldades. 

E a Vale? Também tem problemas com preço das commodities. O preço do ferro está baixo. A economia mundial patina e China teve o crescimento reduzido.  E chegou Mariana. As barragens de contenção mantidas pela empresa estão sendo identificados como de péssima qualidade. Deu num cataclisma ambiental. Vai custar pelo menos 20 bilhões de reais em custos de reconstrução e processos na justiça. O valor é respeito pela Vale vão para a latrina. 

De resto, tudo bem por aqui.